Procurador ucraniano acusa oposicionista Yulia Tymoshenko de homicídio

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Ex-primeira-ministra da Ucrânia, que está presa, é acusada de ordenar a morte de um rival empresarial há 16 anos

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AP
Partidários de Yulia Tymoshenko protestam em frente a tribunal em Kiev, na Ucrânia em 29/8/2012

O procurador-geral da Ucrânia acusou a líder oposicionista Yulia Tymoshenko de mandar matar um rival empresarial há 16 anos, num novo golpe contra a ex-primeira-ministra que está presa e é apontada pelo Ocidente como vítima de uma perseguição política.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira, depois que um tribunal interrompeu um segundo julgamento contra Tymoshenko por evasão tributária e sua defesa alertou que a saúde dela atingira um nível "crítico" por causa de fortes dores nas costas.

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Tymoshenko já cumpre pena de sete anos de prisão por abuso de poder, num veredicto emitido em outubro de 2011.

Partidários dela e governos ocidentais dizem que Tymoshenko, de 52 anos, é vítima de uma perseguição por parte do presidente Viktor Yanukovich, que a derrotou por estreita margem em um segundo turno eleitoral em fevereiro de 2010.

Inimigos políticos dela há um ano já indicavam que ela deveria se tornar ré pela morte do empresário e deputado Yevhen Shcherban, alvo de uma saraivada de tiros ao deixar um avião, em 1996.

Mas o anúncio do procurador Viktor Pshonka de que Tymoshenko, poderosa empresária do setor de gás na década de 1990, teria conspirado com o ex-premiê Pavlo Lazarenko para matar Shcherban foi uma surpresa.

Em declarações divulgadas pela agência de notícias Interfax, Pshonka disse que Tymoshenko pode ser condenada a prisão perpétua.

"O material reunido na investigação preliminar testemunha o fato de que Tymoshenko de fato ordenou o assassinato junto com Lazarenko. Hoje, os investigadores foram encontrar Tymoshenko para lhe apresentar as suspeitas sobre o crime", disse o procurador.

De acordo com ele, a investigação mostrou que os responsáveis pela morte de Shcherban pagaram 2,8 milhões de dólares aos pistoleiros.

Tymoshenko, a heroína da chamada "Revolução Laranja", série de protestos populares que reverteu a velha ordem pós-soviética da Ucrânia e inviabilizou a primeira candidatura presidencial de Yanukovich, nega todos os crimes.

Por causa das supostas perseguições à política, a União Europeia cancelou um acordo de livre comércio e associação política com a Ucrânia.

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