Crise de reféns na Argélia continua; governo diz que 12 reféns morreram

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Agência diz que governo resgatou mais de 650 em operação, em que 32 estrangeiros ainda estão desaparecidos. Contagem preliminar de reféns mortos inclui estrangeiros e argelinos

Uma operação para libertar reféns de ao menos dez países em um campo de gás natural na desértica região sul da Argélia ainda não terminou, disseram os governos britânico e francês nesta sexta-feira, um dia depois de o governo argelino ter dito que a ação militar havia acabado. "O indicente terrorista continua em progresso", disse o Ministério de Relações Exteriores britânico sem dar mais detalhes. O ministro do Interior da França, Manuel Valls, afirmou que a situação permanece obscura.

Quarta: Grupo ligado à Al-Qaeda faz estrangeiros reféns em usina de gás da BP na Argélia

AP/DigitalGlobe
Imagem de satélite de 8/10/2012 mostra campo de gás de Amenas, que foi atacado por terroristas na Argélia

Quinta: Argélia lança operação para resgatar reféns de militantes em campo de gás

Sexta: Crise de reféns deixa dezenas de estrangeiros desaparecidos na Argélia

O destino de muitos dos reféns e dos radicais islâmicos que atacaram na quarta o complexo de Ain Amenas, no Saara perto da fronteira com a Líbia, continua incerto. Nesta sexta, a APS, a agência de notícias estatal da Argélia, disse que uma "contagem provisória" indica que 12 reféns, incluindo argelinos e estrangeiros, morreram desde o início da operação. Segundo a agência, há 18 militantes mortos.

Antes dessa informação, a APS indicava um total de seis mortes: quatro na operação de quinta, sendo dois britânicos e dois filipinos, e duas no ataque inicial ao complexo na quarta, sendo um britânico e um argelino.

Previamente nesta quinta, a APS indicou que a ação militar resgatou mais de 650 reféns, dos quais 573 são argelinos e "quase cem" são estrangeiros. Como a própria agência afirmou que 132 estrangeiros eram mantidos em cativeiro desde quarta, o número de resgatados indicaria que ao menos 32 ainda estão desaparecidos. Não está claro como o governo argelino chegou ao número de 132 reféns estrangeiros, que é muito maior do que os 41 apontados inicialmente pelos sequestradores.

"A situação permanece fluida, e muitos detalhes ainda não estão claros, mas a responsabilidade pelos eventos trágicos dos últimos dois dias está nas mãos dos terroristas que escolheram atacar trabalhadores inocentes, assassinando alguns e tomando outros como reféns", disse o secretário de Relações Exteriores britânico, William Hague.

Operação de quinta

O governo dominado pelo Exército da Argélia, endurecido por décadas de combate a militantes islâmicos, esnobou as ofertas de auxílio externas e lançou a operação sozinho, evitando até mesmo passar informações aos líderes ocidentais.

AP
Homem lê jornal com manchete 'Terroristas atacam e sequestram em Amenas' perto de banca na Argélia

Com o drama dos reféns chegando a seu segundo dia na quinta, as forças argelinas resolveram atuar, primeiramente com disparos de helicóptero e depois com forças especiais, de acordo com diplomatas, um site relacionado aos militantes e uma autoridade de segurança da Argélia. À TV argelina, o ministro de Comunicações da Argélia, Mohamed Said Belaid, disse na quinta que o Exército foi forçado a agir porque os militantes rejeitaram se entregar e tentaram fugir do país com os reféns.

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Os militantes - liderados pelo braço da Al-Qaeda no Mali, conhecido como "Brigada Mascarada" - sofreram baixas na ofensiva militar de quinta, mas conseguiram uma audiência global.

É difícil confirmar de forma independente as informações porque é extremamente complicado chegar à localidade remota, que foi cercada por forças de segurança argelinas - que, como os militantes, estão inclinadas a fazer propaganda de seus sucessos e atenuar seus fracassos.

"Um número importante de reféns foi libertado e um número importante de terroristas foi eliminado, e lamentamos os poucos mortos e feridos durante a operação", afirmou na quinta o ministro das Comunicações, acrescentando que os "terroristas são de várias nações" e têm o objetivo de "desestabilizar a Argélia, envolvê-la no conflito do Mali e prejudicar sua infraestrutura de gás natural".

À Agência de Informação Nouakchott, rede de notícias da Mauritânia que divulga informações de grupos extremistas vinculados à Al-Qaeda, militantes disseram que helicópteros do Exército atacaram o local, matando 35 estrangeiros e 15 sequestradores. O porta-voz do Katibat Moulathamine ("Brigada Mascarada"), grupo fundado por um importante membro da Al-Qaeda no Norte da África, afirmou que Abou El Baraa, líder dos sequestradores, estava entre os mortos, enquanto sete reféns estrangeiros estavam vivos. As informações ainda não foram confirmadas oficialmente.

Os militantes justificaram a ação afirmando que era uma retaliação à Argélia por permitir que a França use seu espaço aéreo para lançar ataques contra grupos rebeldes vinculados à Al-Qaeda no norte do Mali.

Terrorismo: Al-Qaeda esculpe em cavernas e no subterrâneo seu próprio país no Mali

AP
Reprodução de vídeo fornecida por grupo de inteligência SITE supostamente mostra o líder militante Moktar Belmoktar, que liderou sequestro de reféns na Argélia

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O ministro do Interior argelino disse que os sequestradores operam sob as ordens de Mokhtar Belmokhtar, um graduado comandante da Al-Qaeda no Magreb Islâmico desde o fim do ano passado, quando ele montou seu próprio grupo armado depois de aparentemente ter se indisposto com outros líderes.

*Com AP

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