Eleição de Israel fracassa em entusiasmar minoria árabe-israelense

Por AP | - Atualizada às

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Representando cerca de 1/5 da população, árabes estão desiludidos com a política e insatisfeitos com a ineficácia de seus próprios representantes; votação ocorre no dia 22

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O ativista árabe-israelense Rasool Saada está atravessando o país para incentivar cidadãos árabes a votar nas eleições parlamentares de 22 de janeiro, convencido de que eles podem fazer a diferença. Numericamente, ele está certo. Historicamente, nunca foi bem assim.

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Os árabes representam cerca de um quinto da população de Israel, mas seu comparecimento às urnas é muito menor do que o da maioria judaica. Muitos árabes estão desiludidos com a política, sentindo-se alienados como uma minoria em um Estado judeu e insatisfeitos com a ineficácia de seus próprios representantes.

Do lado judeu, a suspeita sobre a lealdade e objetivos finais dos árabes-israelenses, sempre presente, tem aumentado nos últimos anos com o impasse no processo de paz israelo-palestino e a identificação cada vez mais evidente com os palestinos por parte dos líderes árabes israelenses.

"É uma situação de crise de identidade diária viver como um árabe em Israel, pois sua identidade palestina é o seu núcleo", disse Saada, 23, o único árabe em sua classe na faculdade de direito da Universidade de Israel Bar-Ilan. "Muitos desistem e preferem não participar da política, mas, por sermos uma minoria, temos de fazer com que nossas vozes sejam ouvidas."

Os árabes-israelenses têm direitos de cidadania que, ao contrário de seus irmãos palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, dá-lhes acesso a serviços sociais israelenses e o direito ao voto. Eles tendem a ser mais pobres e menos instruídos do que os judeus de Israel e muitas vezes sofrem discriminação no trabalho e no mercado imobiliário.

"Somos cidadãos de segunda classe, e os políticos israelenses só falam conosco escondidos", disse Bashaer Fahoum-Jayoussi, uma advogada de Nazaré, a maior cidade árabe em Israel. "Para nós, a integração não é uma opção, é obrigatória. Falamos hebraico, vivemos com bandeiras de Israel em todos os lugares. Mas, do outro lado, eles nunca estendem a mão", disse.

A desilusão abrange ambos os lados.

O principal partido da coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Yisrael Beitenu, expôs com muito afinco nas eleições de 2009 uma mensagem que questionava a lealdade dos árabes-israelenses.

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Em 2010, a parlamentar árabe Hanin Zoabi, cujos pôsteres de campanha podem ser avistados ao redor de Nazaré, enfureceu muitos israelenses quando se uniu a ativistas pró-palestinos em uma flotilha internacional que tentava romper o bloqueio naval de Israel à Faixa de Gaza, território controlado pelo grupo radical islâmico Hamas. Israel considerou a flotilha um exercício de propaganda perigoso. Zoabi quase foi agredida no Parlamento e, posteriormente, despojada de alguns privilégios parlamentares.

Em 2010, Amir Makhoul, um líder ativista comunitário, declarou-se culpado de entregar informações confidenciais para o grupo libanês islâmico Hezbollah. Ele foi condenado a nove anos de prisão. O também legislador Azmi Bishara fugiu do país há cinco anos para evitar enfrentar acusações de espionagem.

Anos de impasse nos esforços de paz no Oriente Médio e o conflito violento de novembro com militantes palestinos em Gaza têm contribuído para a desconfiança mútua.

Jamal Zahalka, deputado árabe que serve no parlamento desde 2003, disse que a atmosfera tem se tornado consideravelmente cada vez mais hostil.

"Tentamo incentivar os árabes a votar pois é importante, mas não se pode culpá-los quando veem quão pouco poder temos no Parlamento", disse. "Além de (os legisladores judeus) se recusarem a nos ouvir, eles também querem nos proibir de participar das eleições. "Um movimento para banir os partidos árabes vem sendo analisado mais uma vez, como normalmente acontece antes de toda eleição, e é provável que seja rejeitado como foi no passado.”

Nessa atmosfera caótica, muitos árabes israelenses provavelmente ficarão em casa no dia da eleição. Uma pesquisa recente do Fundo das Iniciativas de Abraão, um grupo que promove a coexistência, descobriu que cerca de metade dos eleitores árabes-israelenses deve votar, em comparação com cerca de 70% dos eleitores judeus.

O conflito entre judeus e árabes de Israel vem desde a criação do país, em 1948. Na época, centenas de milhares de árabes fugiram ou foram expulsos do país, deixando suas propriedades e parentes para trás. Durante os primeiros 18 anos de existência de Israel, os árabes viviam sob lei marcial, que incluía toques de recolher e autorizações de viagem.

Muitos árabes-israelenses consideram o ano de 2000, quando a polícia matou 13 árabes-israelenses durante os distúrbios que aconteceram após a erupção de um levante palestino na Cisjordânia e em Gaza, como um ponto crucial de mudança. Muitos disseram que o Estado falhou em investigar adequadamente o motim e em tomar medidas necessárias contra os policiais responsáveis.

"Depois disso, realmente começamos a questionar exatamente qual é o nosso lugar neste Estado", disse Marie Totry, professora da Universidade de Tel Aviv.

Por Lauren E.Bohn

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