Grupo ligado à Al-Qaeda faz estrangeiros reféns em usina de gás da BP na Argélia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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'Brigada Mascarada' diz que ataque com dois mortos (um britânico) é retaliação à ajuda da Argélia à operação militar da França no Mali; haveria 20 reféns do exterior

Militantes islâmicos atacaram e ocuparam um campo de gás natural operado parcialmente pela BP na desértica região sul da Argélia na manhã desta quarta-feira, perto da fronteira com a Líbia, deixando dois estrangeiros mortos, incluindo um britânico, e mantendo estrangeiros de até nove nacionalidades diferentes como reféns enquanto são cercados por forçar argelinas.

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AP
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O grupo Katibat Moulathamine ("Brigada Mascarada"), fundado por um importante membro da Al-Qaeda no Norte da África, disse que o ataque é uma retaliação à Argélia por permitir que a França use seu espaço aéreo para lançar ataques contra grupos rebeldes vinculados à rede terrorista no norte do Mali.

O grupo diz estar com 41 estrangeiros reféns, incluindo sete americanos, no campo de gás de Ain Amenas. Mas, segundo a agência de notícias estatal, haveria 20 reféns, incluindo americanos, britânicos, noruegueses, franceses e japoneses. A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland, disse ter informações de que "cidadãos americanos estão entre os reféns".

"A Argélia não responderá às demandas terroristas e rejeita todas as negociações", disse o ministro do Interior Daho Ould Kablia. Ele negou que os militantes fossem do Mali ou da Líbia, possivelmente sugerindo que são da própria Argélia.

Mas apesar de o número e a identidade dos reféns ainda não estarem claros, a Irlanda anunciou que um homem de 36 anos estava entre eles, enquanto o Japão e o Reino Unido disseram que cidadãos seus também estavam envolvidos. Uma norueguesa afirmou que seu marido lhe telefonou dizendo que era mantido como refém.

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Em um comunicado divulgado em seu site, a BP afirmou que a usina foi "atacada e ocupada por um grupo de pessoas armadas não identificadas", com indicações de que alguns membros de sua equipe foram presos "pelos ocupantes".

Além dos dois mortos, seis outros ficaram feridos, incluindo dois estrangeiros, dois policiais e dois agentes de segurança, informou a agência de notícias estatal do país. As forças da Argélia cercaram os sequestradores, disse uma autoridade de segurança argelina com base na região.

O presidente da França, François Hollande, lançou a intervenção militar surpresa na sua ex-colônia da África Ocidental na sexta-feira, com esperança de parar extremistas islâmicos vinculados à Al-Qaeda que ele acredita representam uma ameaça ao mundo.

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Apesar dos cinco dias de ataques franceses, a aliança islâmica que combina o braço da Al-Qaeda no Norte da África (Al-Qaeda no Maghreb Islâmico, ou AQIM) com grupos rebeldes originários do Mali (o Mujwa e Ansar Dine) vêm ganhando terreno no país. Potências ocidentais e regionais estão preocupadas que os insurgentes possam usar o norte do Mali como plataforma para ataques internacionais.

Veja a localização no mapa: 

*Com AP

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