França trava combates diretos no Mali

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Apesar de governo dizer que só faria campanha aérea no país, soldados franceses entram em território ocupado por radicais islâmicos

Soldados franceses iniciaram uma ofensiva terrestre no norte do Mali nesta quarta-feira, em direção ao território ocupado por radicais islâmicos. As forças francesas estão combatendo os radicais junto com soldados do Mali na cidade de Diabaly, a 400 km a nordeste da capital Bamako.

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As operações terrestres da França começaram durante a madrugada no Mali, disse o chefe de gabinete militar francês, almirante Edouard Guillaud, à TV Europe 1. O ministro da Defesa da França, Jean-Yves Le Drian, disse à rádio RTL que os soldados se afastaram da segurança relativa da capital em direção aos redutos rebeldes no norte.

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O presidente francês, François Hollande, autorizou os bombardeios na sexta-feira, depois que os islamitas começaram a avançar sobre o sul em direção à capital a partir da metade norte do Mali que eles controlam. Eles ocuparam a área, que tem o tamanho do Afeganistão, em abril, em meio ao caos que se seguiu após um golpe de Estado.

Apesar dos cinco dias de ataques franceses, a aliança islâmica que combina o braço da Al-Qaeda no Norte da África (Al-Qaeda no Maghreb Islâmico, ou AQIM) com grupos rebeldes originários do Mali (o Mujwa e Ansar Dine) vêm ganhando terreno no país. Potências ocidentais e regionais estão preocupadas que os insurgentes possam usar o norte do Mali como plataforma para ataques internacionais.

A operação terrestre contradiz uma declaração inicial da França de que ofereceria apenas apoio aéreo e logístico para uma intervenção militar, prevista para ser liderada por soldados africanos. A França sugeriu que os rebeldes estão mais bem armados do que inicialmente esperado, tendo obtido armas roubadas do arsenal abandonado de Muamar Kadafi, o ex-líder líbio que foi morto durante uma revolta popular em 2011 em meio à Primavera Árabe. Os islamitas também obtiveram armas deixadas pelo Exército do Mali quando abandonou o norte perante o avanço dos rebeldes no ano passado.

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Na terça, a França anunciou que está triplicando o número de soldados na sua ex-colônia de 800 para 2,5 mil com o objetivo de fortalecer o Exército do Mali e trabalhar com as tropas de países do oeste africano.

Nesta quarta, o ministro da Defesa francês reconheceu que a campanha militar deve ser longa. "Estamos numa posição melhor do que na semana passada, mas o combate continua e será longo, imagino", disse Le Drian à rádio RTL.

Na terça-feira, o presidente da França disse que os soldados franceses permanecerão no Mali até que a estabilidade volte ao país da África Ocidental. Hollande disse que a França espera, no entanto, entregar a missão em sua ex-colônia a forças africanas "nos próximos dias ou semanas".

Chade manda reforços 
O Chade anunciou nesta quarta-feira que vai mandar tropas ao Mali. O país do norte da África também é uma ex-colônia francesa, e suas tropas estão acostumadas com o terreno e o clima do norte do Mali. 

O comunicado do presidente Idriss Deby Itno não especificou o número de soldados ou quando eles chegariam ao Mali. O parlamento do país aprovou o envio de tropas. 

*Com AP, Reuters e BBC

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