Incidente é o mais novo de série de problemas apresentados por avião visto como futuro da aviação comercial; duas grandes companhias aéreas do Japão suspendem uso da aeronave

Um Boeing 787 Dreamliner da ANA (All Nipon Airways) foi forçado nesta quinta-feira a fazer um pouso de emergência no aeroporto de Takamatsu, no Japão, após registrar problemas na bateria, no mais novo incidente de uma série de problemas apresentados por um avião que muitos veem como o futuro da aviação comercial.

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Avião fez pouso de emergência após registrar problema na bateria
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Avião fez pouso de emergência após registrar problema na bateria

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Segundo a ANA, instrumentos a bordo de um voo doméstico detectaram erro de bateria, acionando alertas de emergência aos pilotos. Shigeru Takano, um importante membro da Agência de Aviação Civil, disse que um segundo alerta indicou presença de fumaça.

Nos últimos dias, questões como vazamentos de combustível, fogo em bateria, problemas elétricas, falha em computador de freio e rachaduras em janela do cockpit atingiram o primeiro avião do mundo com estrutura de compósito de carbono.

"Estamos perto do ponto em que eles precisam considerar isso como uma crise séria", afirmou Richard Aboulafia, analista sênior da Teal Group em Fairfax, nos EUA. "A visão das pessoas sobre o avião mudará se não tomarem uma medida rapidamente", acrescentou.

O caso desta quarta foi descrito por representante do Ministério dos Transportes do Japão como "altamente sério", o que no meio de segurança internacional significa que poderia haver acidente. Por causa do incidente desta quarta, duas grandes companhias aéreas do Japão deixaram em terra suas respectivas frotas de jatos Boeing 787 Dreamliner.

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A ANA informou que suspendeu voos com todos os 17 Boeings 787 de sua frota. A empresa afirmou que a bateria no compartimento de carga dianteiro da aeronave afetada pelo problema é do mesmo tipo de íon de lítio que pegou fogo em outro Dreamliner nos EUA na semana passada. A Japan Airlines também suspendeu os voos com 787 previstos para quarta e quinta-feiras.

Ambas as empresas decidirão na quinta se retomarão os voos com o Dreamliner no dia seguinte. As duas operam quase metade dos 50 787 que a Boeing já entregou.

Revisão detalhada

O 787, que tem um preço de tabela de US$ 207 milhões, representa um salto na forma como os aviões são planejados e produzidos, mas o projeto teve várias mudanças e anos de atraso. Alguns sugerem que a pressa da Boeing para compensar esse atraso resultou nos recentes problemas, o que a fabricante nega vigorosamente.

Autoridades dos EUA estão monitorando o mais novo incidente como parte da detalhada revisão no Dreamliner anunciada na semana passada.

O voo 692 da ANA deixou Yamaguchi, no oeste do Japão, pouco depois das 8h (21h em Brasília) com destino ao aeroporto de Haneda, perto de Tóquio, um voo de 65 minutos. Mas após cerca de 18 minutos de voo, o avião desceu e fez um pouso de emergência, de acordo com o site de acompanhamento de voos Flightaware.com.

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Um porta-voz do aeroporto de Osaka disse que o avião pousou em Takamatsu às 8h45 locais. Todos os 129 passageiros e oito tripulantes foram retirados por tobogãs infláveis da aeronave. Cinco pessoas ficaram levemente feridas, segundo autoridades.

Passageiros do voo disseram a uma TV local que um cheiro parecido com o de plástico queimado começou a tomar o avião logo após a decolagem. "Começou um cheiro ruim assim que a viagem começou, e antes do pouso de emergência houve um anúncio, com a voz da comissária trêmula. Aí vi que era sério", afirmou um passageiro à TBS TV.

Outro homem afirmou a uma emissora local: "Havia um forte cheiro de queimado e a fumaça apareceu depois que eles abriram as portas de emergência, depois que pousamos."

Expectativa

Na Ásia, somente as companhias japonesas e a Air India têm Dreamliners em operação, mas outras companhias estão entre as que encomendaram 850 unidades do novo avião. A australiana Qantas Airways disse que o pedido de 15 Dreamliners está mantido, com a subsidiária Jetstar devendo receber sua primeira unidade no segundo semestre do ano.

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Autoridades indianas disseram que esperarão o relatório de segurança do Boeing, esperado para esta quarta, antes de decidir se param ou não os seis Dreamliners da estatal Air India.

A United Airlines, única companhia americana a operar o 787 atualmente, afirmou que não está tomando nenhuma ação imediata em resposta ao último incidente. "Avaliamos o que está acontecendo com a ANA e teremos mais informações amanhã", disse uma porta-voz.

Os problemas do Dreamliner ecoam incidentes registrados pela rival Airbus, que um ano atrás sobreviveu a uma crise de confiança pública depois do surgimento de rachaduras nas asas do superjumbo A380, o maior avião de passageiros do mundo. Os problemas testaram o relacionamento da fabricante com as companhias aéreas, mas nenhuma encomenda foi cancelada.

*Com Reuters

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