EUA descartam enviar tropas terrestres ao Mali em meio à ofensiva da França

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Washington vem fornecendo a Paris assistência para compilar informações de inteligência, enquanto África tenta acelerar envio de tropas do continente para missão apoiada por ONU

O secretário da Defesa Leon Panetta disse nesta terça-feira que os EUA descartaram enviar qualquer tropa terrestre para o Mali, onde a França lançou na sexta uma ofensiva para combater extremistas islâmicos que atuam no país localizado no oeste da África. "Não há nenhuma discussão para pôr quaisquer soldados em terra neste momento", disse em Lisboa ao lado do ministro da Defesa português, Jose Aguiar Branco.

Avanço: Islamitas do Mali ganham terreno apesar de ofensiva militar da França

AP
Soldados franceses são vistos em hangar de aeroporto de Bamako, Mali

ONU: Novos combates põem milhares em fuga no Mali

Os EUA estão fornecendo à França assistência para a compilação de informações de inteligência em sua campanha militar contra os radicais, e autoridades não rejeitam a ideia de que aviões americanos pousem no país como parte de esforços futuros para emprestar transporte aéreo e apoio logístico. 

Nesta terça, Panetta disse que os EUA ainda trabalham nos detalhes da assistência que fornecerão à França. Os comentários de Panetta foram feitos depois que as forças francesas lançaram ataques aéreos durante toda a noite contra uma pequena cidade, incluindo seu campo militar, atuando para desalojar extremistas que assumiram o controle da área.

A ofensiva aérea francesa continuou em meio a sinais de que o país prepara uma campanha terrestre e preocupações de que atrasos no envio de tropas africanas possam colocar em risco uma missão mais ampla para desalojar a Al-Qaeda e seus aliados.

Apesar dos ataques franceses, a aliança islâmica que combina o braço da Al-Qaeda no Norte da África (Al-Qaida no Maghreb Islâmico, ou AQIM) com grupos rebeldes originários do Mali (o Mujwa e Ansar Dine), e que ocupa uma vasta região do deserto desde o ano passado, vêm ganhando terreno no país. Potências ocidentais e regionais estão preocupadas que os insurgentes possam usar o norte do Mali como plataforma para ataques internacionais.

A França sugeriu que os rebeldes estão mais bem armados do que inicialmente esperado, tendo obtido armas roubadas do arsenal abandonado de Muamar Kadafi, o ex-líder líbio que foi morto durante uma revolta popular em 2011 em meio à Primavera Árabe. Os islamitas também obtiveram armas deixadas pelo Exército do Mali quando abandonou o norte perante o avanço dos rebeldes no ano passado.

Chefes de Defesa da África Ocidental devem reunir-se na capital Bamako nesta terça para aprovar planos a fim de agilizar o envio de 3,3 mil tropas regionais, previstas em um plano de intervenção apoiado pela ONU que deve ser liderado por africanos.

Em uma base militar francesa em Abu Dhabi, no início de uma visita aos Emirados Árabes Unidos, o presidente da França, François Hollande, disse que a expectativa é de que o envio da força conjunta da África ao Mali leve uma semana. "Continuaremos o destacamento de tropas no terreno e pelo ar", disse Hollande. "Temos 750 tropas destacadas no momento, e esse número continuará crescendo, para que o mais rápido possível possamos entregar aos africanos."

Análise: Intervenção francesa no Mali representa risco para 'novo' Hollande

A França planeja enviar um total de 2,5 mil soldados para sua ex-colônia com o objetivo de fortalecer o Exército do Mali e trabalhar com as tropas de países do oeste africano. O chanceler francês, Laurent Fabius, que acompanha Hollande na visita em que a França espera fechar a venda de 60 caças Rafale aos Emirados, disse que os países do Golfo Pérsico também podem participar da campanha no Mali.

Fabius acrescentou que haverá um encontro de doadores para a operação no Mali, provavelmente em Addia Ababa, no final de janeiro.

*Com AP e Reuters

Leia tudo sobre: françamalieuapanettaal qaedaterrorismo

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas