Delegação pressiona Coreia do Norte por liberdade da informação na internet

Por AP |

compartilhe

Tamanho do texto

Em recente visita controversa à nação comunista, presidente executivo do Google e ex-governador do Novo México pediram livre acesso à web para o bem dos norte-coreanos

AP

AP

Uma delegação privada, que incluiu Eric Schmidt, presidente executivo do Google, pediu à Coreia do Norte, o país com alguns dos mais rígidos controles sobre informações do mundo, que permita o acesso livre à Internet para o bem de seus cidadãos, disse o líder da missão na quarta-feira de 9 de janeiro.

Desafio: Coreia do Norte lança foguete com sucesso

AP
Presidente executivo do Google, Eric Schmidt (E), e ex-governador do Novo México Bill Richards chegam a Pequim vindos da capital da Coreia do Norte (10/01)

Pyongyang: Americano é preso na Coreia do Norte

O ex-governador do Novo México Bill Richardson também disse que seu grupo de nove membros solicitou que a Coreia do Norte colocasse uma moratória sobre o lançamento de mísseis e testes nucleares que levaram às sanções da ONU, e a delegação solicitou que um cidadão americano detido fosse tratado de uma maneira justa e humana. As informações foram dadas à Associated Press em uma entrevista exclusiva em Pyongyang.

A visita foi criticada por aparentemente querer roubar a atenção da diplomacia dos EUA e reforçar a projeção de Pyongyang após o último lançamento de foguetes pela Coreia do Norte, ato que foi amplamente criticado. Richardson disse que a delegação esteve em uma visita humanitária particular.

Schmidt, o presidente-executivo do Google, é um dos executivos americanos mais importantes a visitar a Coreia do Norte desde que o líder Kim Jong-un tomou posse.

Na quarta de 9 de janeiro, Schmidt visitou o prédio no centro de Pyongyang que é o coração da indústria de computação da Coreia do Norte. Ele perguntou sobre os novos tablets da Coreia do Norte, bem como sobre seu sistema operacional Red Star, e brevemente colocou um par de óculos 3D durante uma excursão ao Centro de Computação do país asiático.

Veja também: História sobre 'sensualidade' de líder norte-coreano engana imprensa chinesa

Schmidt não disse publicamente o que pretende fazer com sua visita à Coreia do Norte. No entanto, ele é um defensor da liberdade de expressão na internet e está publicando com o diretor do Google Ideias, Jared Cohen, sobre o poder que a conectividade global possui para transformar a vida das pessoas, bem como a política.

Richardson disse à Associated Press que sua delegação trazia a mensagem de que uma maior abertura beneficiaria a Coreia do Norte. A maioria das pessoas no país nunca sequer acessou a internet, e o governo autoritário limita o acesso à web.

"Os cidadãos da Coreia do Norte terão uma melhor qualidade de vida com mais celulares e uma internet ativa. Essas são as mensagens que temos passado para uma variedade de agentes de política externa, cientistas e oficiais do governo", disse Richardson.

A viagem de quatro dias, que começou na segunda de 7 de janeiro, aconteceu em um momento delicado nas relações entre os EUA e a Coreia do Norte. Há menos de um mês, Pyongyang lançou um satélite ao espaço em um foguete de longo alcance, algo celebrado no país, mas condenado por Washington e outros como um teste proibido de tecnologia de mísseis.

Leia também: Conselho de Segurança condena lançamento de foguete da Coreia do Norte

O Departamento de Estado criticou a viagem por não ajudar os EUA num momento em que buscam o apoio por uma ação do Conselho de Segurança da ONU. O porta-voz Peter Velasco disse em Washington que não acredita que a delegação manteve contato com autoridades dos EUA desde que chegou em Pyongyang. No entanto, Richardson afirmou que a delegação tem pressionado os norte-coreanos por uma moratória sobre lançamentos de mísseis e testes nucleares. 

Richardson também declarou que a delegação solicitou que o americano Kenneth Bae, que está sob custódia por suspeita de cometer “atos hostis” contra o Estado, seja tratado de uma maneira "justa e humana". O grupo também solicitou que autoridades do governo e cientistas ofereçam mais celulares e liberem a internet para o povo da Coreia do Norte, disse.

Não existem grandes empresas americanas operando na Coreia do Norte, que lutou contra os EUA na Guerra da Coreia 1950-1953). Os inimigos assinaram uma trégua em 1953 para acabar com o conflito, mas nunca um tratado de paz, e os dois países ainda não mantêm relações diplomáticas.

As sanções da ONU proibiram o comércio de armas e itens que possam ser utilizados para fins nucleares com a Coreia do Norte, assim como itens de luxo. Washington também proíbe a importação de bens fabricados na Coreia do Norte para os EUA.

Alguns conservadores nos EUA criticaram severamente a viagem de Schmidt-Richardson. Segundo John Bolton, que serviu como embaixador americano na ONU durante o governo de George W. Bush (2001-2009), escreveu no New York Daily News: "(Eles) se juntaram à longa lista de americanos e outros utilizados pela ditadura da família Kim para obter vantagem política."

"A Coreia do Norte tem repetidamente acolhido americanos proeminentes para ajudar a elevar a sua estatura. O país está buscando negociações diretas com Washington, pois na visão distorcida da liderança da nação, isso pode levar ao reconhecimento diplomático da comunidade mundial."

Por Jean H. Lee

Leia tudo sobre: coreia do nortegooglekim jong un

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas