Ministro da França prevê curta ofensiva militar no Mali

Por iG São Paulo |

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Chanceler diz que campanha contra radicais islâmicos será encerrada em questão de semanas e rejeita comparações com a operação dos EUA no Afeganistão

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, disse que a intervenção militar do seu país no Mali, iniciada na sexta, será encerrada em questão de semanas e "se desenvolve favoravelmente" e dentro das expectativas.

Domingo: Ofensiva aérea francesa avança no Mali

AP
Foto de 13/01 divulgada nesta segunda pelo Exército francês mostra pouso de jato Rafale no Chade após cumprir missão militar no Mali

Fabius rejeitou qualquer semelhança entre a operação, lançada para deter o avanço de militantes islâmicos rumo ao sul do Mali, e a operação militar liderada pelos EUA contra a milícia islâmica do Taleban no Afeganistão, que já dura mais de 11 anos.

"Mais para frente, podemos voltar (ao país) como forças secundárias, mas não temos nenhuma intenção de ficar para sempre", afirmou.

Nas últimas horas, aviões franceses bombardearam campos de treinamento e a infraestrutura controlada pelos rebeldes nas cidades de Gao e Kidal, no nordeste do país africano. De acordo com Fabius, o avanço rebelde rumo ao sul foi interrompido com a intervenção francesa.

No entanto, disse, as forças francesas enfrentam uma situação "difícil" contra rebeldes bem armados nas áreas ocidentais. Islamitas prometeram ataques em solo frança em retaliação à campanha militar.

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Centenas de soldados de países vizinhos ao Mali, uma antiga colônia francesa, estão se preparando para se juntar às forças francesas. Convocado por Paris, o Conselho de Segurança da ONU tem nesta segunda uma reunião para discutir a ofensiva.

Ao menos 11 soldados do Mali e um piloto de um helicóptero francês morreram desde sexta, enquanto há relatos de mais de 100 militantes mortos.

No domingo, o chanceler francês afirmou que a Argélia permitiu que a França use plenamente seu espaço aéreo na intervenção militar e está preparada para bloquear sua fronteira se o conflito rumar para o norte.

Fabius declarou que vem mantendo contato regular com o governo na Argélia e está agradecido pela solidariedade do país na operação. A Argélia vinha pressionando por uma solução política para a crise no Mali em detrimento de uma intervenção militar.

"A Argélia autorizou acesso ilimitado nos sobrevoos em seu território, algo que agradeço às autoridades argelinas", disse Fabius à TV LCI, enquanto jatos franceses Rafale bombardeavam redutos rebeldes no norte do Mali.

A Argélia tem 2 mil km de fronteira com o Mali e teme que uma ofensiva militar possa empurrar militantes da Al-Qaeda para o sul argelino e também desencadeie uma crise de refugiados se milicianos tuaregues se deslocarem do norte do Mali para a Argélia.

Em declaração à Reuters, uma fonte do setor de segurança da Argélia familiarizada com a situação disse acreditar que a fronteira já estaria fechada.

*Com BBC e Reuters

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