Russos vão às ruas protestar contra a lei que proíbe adoção por americanos

Por iG São Paulo |

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Milhares de pessoas enfrentaram o frio e foram às ruas de Moscou e São Petersburgo contra a lei que proíbe que crianças russas sejam adotadas por casais dos Estados Unidos

Milhares de pessoas foram às ruas de Moscou se manifestar contra a lei que proíbe a adoção de crianças russas por casais dos Estados Unidos. Um dirigente da oposição Sergei Oudaltsov contabilizou cerca de 20 mil pessoas que se uniram na praça Pushkin, de onde se dirigiram até a rua Sajarov.

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Reuters
Milhares foram às ruas nesta domingo em Moscou para protestar

Apesar do forte frio que atinge a Rússia, os manifestantes se mobilizaram para acusar o governo Putin de utilizar as crianças em disputas políticas com Washington.

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Os manifestantes, entre eles intelectuais, opositores e jornalistas, acreditam que a lei promulgada por Putin afeta diretamente os mais desfavorecidos. Um protesto similar foi registrado na cidade de São Petersburgo.

A lei sobre adoções causou indignação entre liberais russos e defensores dos direitos infantis e entrou em vigor estremecerndo ainda mais as relações entre EUA e Rússia. Das 3,4 mil crianças russas adotadas em 2011 por estrangeiros, 956 foram recebidas por cidadãos dos Estados Unidos.

Além de proibir as adoções por parte de americanos, a lei também desautoriza algumas organizações não-governamentais que recebem financiamento dos EUA e impõe um congelamentos de bens e cancelamento de vistos de viagem para americanos acusados de violar os direitos de cidadãos russos no exterior.

Parlamentares aliados ao governo elaboraram o projeto de lei em resposta à lei Magnitsky dos EUA, que impede a entrada no país de russos acusados de envolvimento na morte sob custódia do advogado anticorrupção Sergei Magnitsky e de outros suspeitos de crimes contra os direitos humanos.

Magnitski morreu em 2009 em Moscou em prisão preventiva, vítima de atos violentos e sem receber atendimento médico. Ele havia sido detido um ano antes, depois de ter denunciado um gigantesco escândalo financeiro executado por funcionários do Ministério do Interior russo.

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AP
Russos enfrentaram o forte frio para protestar pelas ruas de Moscou

As restrições a adoções foram acrescentadas à lei posteriormente, em consequência de uma elevação das tensões entre Rússia e EUA por desentendimentos em questões como o conflito na Síria, o tratamento dado por Putin a adversários e as restrições impostas a organizações não governamentais desde que o presidente iniciou um novo mandato, em maio.

A lei que proíbe a adoção na Rússia por americanos é chamada de forma oficiosa de "projeto de lei Dima Iakovlev", nome de um menino russo de 2 anos que morreu em 2008 depois que o pai adotivo americano o esqueceu dentro de um carro em pleno verão. O pai foi absolvido da acusação de homicídio culposo por um tribunal americano, o que provocou revolta em Moscou.

* Com Ansa e Reuters

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