Palácio comunista da Romênia atrai estrelas pop e presidentes

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Após 23 anos da queda do comunismo, gigantesco símbolo stalinista e legado do ex-ditador Ceausescu transformou-se em improvável pilar da nascente democracia da Romênia

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Após 23 anos da queda do comunismo, o Palácio do Parlamento, um gigantesco símbolo stalinista e legado mais concreto do ex-ditador Nicolae Ceausescu, transformou-se em um improvável pilar da nascente democracia da Romênia.

E embora continue a ser um dos projetos mais polêmicos do regime de 25 anos de Ceausescu, também passou a ser uma atração turística visitada por dezenas de milhares de romenos e estrangeiros todos os anos.

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Fachada principal do Palácio do Parlamento em Bucareste, Romênia (12/12/12)

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O palácio, tão grande que pode ser visto do espaço, abriu suas portas timidamente no início de 1990, quando os romenos tinham acabado de deixar para trás o trauma do comunismo. Descrito por alguns como um imenso bolo de casamento stalinista, ele é o segundo maior edifício administrativo do mundo, atrás apenas do Pentágono, com 350 mil metros quadrados.

O Parlamento e o Tribunal Constitucional ficam alojados lá dentro, juntamente com o Centro de Aplicação da Lei Europeia, que combate contrabando, crime e fraude no leste europeu. Poucos dias antes do Natal, membros do Parlamento se encontraram no local para votar um novo governo. Mas, com o tempo, o palácio tornou-se também um ímã para eventos glamourosos para celebridades.

Noivas posam na frente da fachada amarela, enquanto casamentos, bailes, filmes e desfiles de moda ocorrem no seu interior. Ele recebeu celebridades - Michael Jackson já fez a moonwalk na frente do prédio após uma coletiva, a colombiana Shakira cantou na sua frente sob chuva, e o ator de Hollywood Ethan Hawke participou de um baile no local para arrecadar dinheiro para crianças carentes.

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Entre os políticos que visitaram o palácio estão o ex-presidente dos EUA George Bush, o presidente russo, Vladimir Putin, e, em outubro, a chanceler alemã Angela Merkel, que fez um discurso para 16 primeiros-ministros europeus.

A construção do grandioso projeto começou no início de 1980, quando o racionamento de alimentos e energia eram comuns. Cerca de 9 mil casas foram demolidas, os moradores receberam poucos dias para desocupar suas casas, igrejas e sinagogas foram destruídas ou movidas e duas montanhas de mármore foram cortadas para que o palácio de 84 metros fosse construído.

Ceausescu projetou o palácio para abrigar o governo e o Parlamento após o devastador terremoto de 1977, que derrubou muitos prédios da capital e deixou mais de 1,5 mil mortos. Filho semialfabetizado de um camponês, Ceausescu era ambicioso: queria que o novo edifício resistisse a qualquer terremoto e durasse pelo menos 500 anos.

Incluindo milhares de soldados, 1 milhão de romenos foram convocados para trabalhar contra o relógio para a construção meticulosa. As excursões de hoje duram apenas uma ou duas horas e percorrem poucas partes do edifício.

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Sala de reunião dentro do Palácio do Parlamento em Bucareste, Romênia (12/12/12)

O palácio fica situado no topo de uma colina artificial no final da Avenida Organização das Nações Unidas, que é deliberadamente um metro maior do que a famosa Champs Elysees de Paris.

Anca Petrescu, que foi indicada arquiteta-chefe do projeto em 1978, diz que o Palácio de Buckingham e Versailles foram suas inspirações artísticas, e não a arquitetura norte-coreana, apesar de Ceausescu ter enviado arquitetos em uma visita a Pyongyang para estudar as construções da cidade. Ela diz que o estilo é neoclássico, enquanto outros diplomaticamente o chamam de "eclético".

"Este edifício acabou se tornando grande por causa dos motivos técnicos", insistiu. "Três grandes instituições precisariam existir aqui. É basicamente uma megacidade e por isso que é grande."

Ela disse que se Ceausescu - que foi julgado e executado em 25 de dezembro de 1989 - estivesse vivo para ver o que tinha acontecido com ele, "faria o sinal da cruz" - uma expressão que, para os romenos, significa que estaria horrorizado.

Por Alison Mutler

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