Durante audiência, advogado que defende um dos indiciados pelo crime afirmou que as autoridades alteraram as provas do caso para dar respostas rápidas ao clamor popular

O advogado de um dos indiciados por estuprar e matar uma jovem em um ônibus em Nova Délhi afirmou nesta quinta-feira (10) que a polícia indiana ameaçou e espancou os cinco suspeitos. Ele também acusou as autoridades de alterar as provas do caso que chocou a Índia e o mundo.

"Eles são inocentes", disse Manohar Lal Sharma durante audiência, que logo depois foi encerrada por problemas técnicos. O advogado disse que a polícia espancou os homens e colocou outros prisioneiros dentro das celas deles para ameaçá-los com facas. "Vocês não fazem ideia da realidade das prisões indianas."

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Manohar Lal Sharma, advogado de um dos acusados, fala com jornalistas do lado de fora da Corte de Saket, em Nova Délhi
AP
Manohar Lal Sharma, advogado de um dos acusados, fala com jornalistas do lado de fora da Corte de Saket, em Nova Délhi


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Cinco homens foram indiciados por atacar uma jovem de 23 anos e seu amigo em um ônibus em movimento na capital da Índia. A mulher foi estuprada e atacada com uma barra de metal em 16 de dezembro e acabou morrendo em um hospital em Cingapura duas semanas depois. Vítimas de estupro não são identificadas na Índia, mesmo que elas morram, e julgamentos de casos de estupro são fechados para a mídia.

Shama, que fez um discurso inflamado nos últimos dois dias, disse que o amigo da vítima que entrou no ônibus com ela após os dois terem ido ao cinema foi "responsável por todo o ocorrido". Entretanto, ele não deu detalhes sobre essa acusação e disse que a responsabilização do rapaz era "somente uma opinião minha".

O caso do estupro coletivo provocou protestos por toda a Índia dos quais participaram homens e mulheres que afirmavam que o sistema legal do país não fazia o suficiente para prevenir ataques contra mulheres . A polícia, segundo ativistas, faz pouco para evitar abusos e invariavelmente culpam o comportamento "impuro" das vítimas.

A jovem e seu amigo estavam próximos de casa quando entraram no ônibus, que, segundo a polícia, levava os réus, que passeavam juntos pela cidade. O amigo da mulher, que não foi identificado, disse que ele tentou defendê-la, mas logo foi desacordado pelos homens. Aurtoridades disseram que as duas vítimas foram atirados para fora do ônibus, sem roupas e com sangramentos.

Sharma afirmou que as autoridades, sob pressão para concluir o caso rapidamente, condenaria os suspeitos independente das evidências, inclusive forçando os réus a se autoincriminar. "O que aconteceu com essa mulher foi tão hediondo, tão horrível", disse, acrescentando que "a polícia manipulará os fatos".

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Ele também disse que o rapaz que acompanhava a mulher era responsável pelo crime. "O namorado a traiu", disse. "O namorado é responsável por tudo", afirmou antes de recuar de sua acusação.

Ao lado de fora da Corte, Sharma disse que representava três dos suspeitos - o motorista do ônibus Ram Singh; o irmão do motorista, Mukesh, e Akshay Thakur - mas o tribunal ordenou que ele trabalharia apenas or Mukesh Singh. Outros advogados foram designados para os três suspeitos, e não ficou claro por que o quinto suspeito não tem defesa.

Os suspeitos foram rapidamente levados à sala do tribunal na tarde de quinta-feira para a audiência, com os rostos cobertos com lenços e chapéus. Eles estavam cercados por policiais e com os pulsos algemados.

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Era esperado que a audiência dessa quinta-feira resultasse no envio do caso para um tribunal especial que funciona de maneira mais ágil, uma vez que o sistema judiciário do país é lento, ineficiente e muitos processos levam anos ou até mesmo décadas para serem concluídos. Entretanto, a maior parte do trabalho da audiência foi adiada para segunda, depois que advogados perceberam que alguns dos papéis e documentos não estavam legíveis.

Sharma deve continuar a sustentar sua defesa nos problemas do sistema judiciário indiano. Ele indicou que os homens foram indiciados, porque as autoridades precisavam realizar prisões para responder ao clamor popular por justiça. "Se os parentes desses meninos tivessem dinheiro, eles não estariam nesta corte hoje", disse.

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Os suspeitos foram indiciados por assassinato, estupro e outros crimes que podem acarretar na pena de morte. Um sexto suspeito, que tem 17 anos, deve ser julgado em um tribunal para menores, pelo qual sua sentença máxima seria três anos em um reformatório.

O promotor Rajiv Mohan disse na semana passada que um teste de DNA confirmou que o sangue da vítima era compatível às manchas de sangue encontradas nas roupas dos acusados.

Com AP

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