Anúncios de celulares com imagem de Lênin desatam polêmica na Polônia

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Críticas obrigam companhia de telefonia móvel a retirar propaganda com líder soviético, visto na Polônia como o responsável por moldar regime que deixou milhões de mortos

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Na Polônia, Vladimir Lênin não é motivo para piadas.

Após ser altamente criticada, uma operadora de celular polonesa que utilizou um desenho do revolucionário comunista resolveu nesta semana tirar do ar sua campanha publicitária.

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Mulher passa perto de anúncio de operadora de celular polonesa com imagem do líder revolucionário russo Vladimir Lênin em Varsóvia (08/01)

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Poloneses mais velhos lembram do líder soviético morto como alguém responsável por ter moldado um regime comunista que matou milhões e aterrorizou a população da União Soviética. Posteriormente, um governo totalitário foi implantado no país pelos soviéticos contra a vontade dos poloneses.

Com a expectativa de que os jovens poloneses tivessem esquecido tais associações, a empresa Polska Telefonia Cyfrowa recentemente começou a utilizar um desenho de Lênin no estilo da propaganda soviética em anúncios de televisão e outdoors, com o slogan "Keep Talking!" (Continue Falando, em tradução literal).

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Na segunda-feira de 7 de janeiro, a companhia avisou em sua página no Facebook que retiraria os anúncios de circulação após protestos. A empresa também disse que nunca teve a intenção de ofender ninguém.

Entre aqueles que protestaram estava o Instituto da Memória Nacional, um órgão estatal que investiga crimes da era comunista. Seu diretor, Lukasz Kaminski, escreveu em uma carta aberta para a empresa de telefonia que Lênin foi "um dos maiores criminosos" do século 20.

Ele disse estar indignado com o fato de a empresa ter utilizado a imagem de um homem que foi diretamente responsável por milhões de mortes, incluindo a de milhares de poloneses.

"É irresponsável banalizar crimes em massa e suas vítimas", disse Kaminski. "Os efeitos sociais dessa campanha também podem ser perigosos, pois ela é dirigida a jovens que poderão associar coisas positivas a Lênin."

Um grupo de direitos do consumidor também pediu que as pessoas reclamassem para a empresa, uma campanha que resultou em cerca de 1 mil cartas.

A Associação da Sua Causa disse que usar um "criminoso comunista” como um ícone publicitário não passou de uma piada de mau gosto. Também disse que teriam o maior prazer em pagar aulas de história para os membros do conselho da administração da empresa de telefonia e para os da agência de publicidade que veiculou os anúncios.

Por Vanessa Gera

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