Índia convoca embaixador do Paquistão após morte de soldados na Caxemira

Por iG São Paulo |

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Segundo governo indiano, dois militares foram mortos e mutilados por tropas paquistanesas na disputada região; chanceler exigiu 'investigação imediata dessas ações'

A Índia convocou nesta quarta-feira (9) o embaixador paquistanês em Nova Délhi para apresentar um protesto formal pelo ataque a uma patrulha do Exército indiano na disputada região himalaia da Caxemira, em que dois soldados foram mortos e tiveram seus corpos mutilados.

O ministro das Relações Exteriores indiano disse em comunicado que o país exigiu "uma investiação imediata dessas ações que estão em contravenção com todas as normas internacionais de conduta e uma garantia de que isso não se repita".

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AP
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A Índia afirmou que as tropas paquistanesas cruzaram a linha de cessar-fogo na região na terça-feira e atacaram soldados indianos que faziam patrulha na área de Mendhar, antes de recuar para o território sob controle paquistanês. O país informou também que os corpos dos soldados foram "submetidos a mutilações bárbaras e desumanas".

À rede britânica BBC, um porta-voz do Exército da Índia afirmou que um dos soldados foi decapitado pelas tropas paquistanesas. Um outro porta-voz do Comando Norte do Exército do país, entretanto, negou à agência Reuters que uma das vítimas tenha sido decaptada. Uma autoridade do Exército paquistanês afirmou que as acusações feitas pela Índia foram investigadas e confirmadas como falsas. Ele falou à agência Associated Press em condição de anonimato.

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Este foi o segundo episódio de violência em três dias na Caxemira. No domingo, um soldado paquistanês foi atingido por um tiro em uma área próxima. O Paquistão afirmou que as tropas indianas cruzaram a linha de cessar-fogo no ataque de domingo. Ambos os lados negam ter ultrapassado a fronteira no território.

O ministro indiano da Defesa descreveu o incidente como "altamente provocativo", mas seu colega das Relações Exteriores buscou acalmar a situação, dizendo que o caso não deve prejudicar os atuais esforços de aproximação entre os dois rivais. "Acho importante no longo prazo que o que aconteceu não seja ampliado", disse Salman Khurshid em entrevista coletiva.

"Não podemos e não devemos permitir a escalada de qualquer evento prejudicial como este. Precisamos ser cuidadosos para que as forças que tentam descarrilar todo o bom trabalho que tem sido feito pela normalização (das relações) não tenham sucesso", afirmou Khurshid sem explicar a quais forças se referia.

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Índia e Paquistão já travaram três guerras desde sua independência, em 1947, sendo duas delas por causa da Caxemira. Ambos os países possuem armas nucleares.

Disparos e pequenas escaramuças são comuns ao longo dos 740 km da Linha de Controle, apesar de um cessar-fogo e da gradual melhora nas relações. O Exército indiano diz que oito dos seus soldados foram mortos em 75 incidentes ocorridos em 2012.

Mas incursões de qualquer das partes são raras, e uma reportagem da imprensa indiana disse que o incidente de terça-feira - a 600 metros da fronteira "de fato"- marcou "o primeiro grande ingresso" desde o cessar-fogo de 2003.

A Índia considera que toda a região da Caxemira, um cenário de montes nevados e vales férteis, com população majoritariamente muçulmana, pertence a seu território. Já o Paquistão cobra a implementação de uma resolução de 1948 da ONU que estabelece a realização de um plebiscito para que os caxemires decidam a qual país querem pertencer.

Com Reuters e AP

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