Há rivalidades entre aliados de Chávez, diz opositor venezuelano

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De acordo com parlamentar opositor, conflitos entre líder da Assembleia Nacional e vice-presidente motivaram a ideia de prorrogar prazo para posse de Chávez

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O parlamentar da oposição venezuelana Julio Borges alega que conflitos são cada vez piores dentro do partido governista da Venezuela, do presidente Hugo Chávez. E seriam essas diferenças, segundo disse em coletiva no dia 6, que fez o decidir adiar a posse do líder para seu quarto mandato, inicialmente prevista para quinta-feira.

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Presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello (D), gesticula a partidários ao lado do vice-presidente Nicolás Maduro (E) em Caracas (05/01)

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De acordo com Borges, a rivalidade entre o vice-presidente Nicolás Maduro e o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Diosdado Cabello, foi o motivo por trás da ideia de prorrogar a cerimônia. Chávez não retornou à Venezuela desde uma operação em 11 de dezembro em Cuba - sua quarta intervenção cirúrgica para um tipo de câncer pélvico não revelado.

"Enquanto o presidente estiver doente em Havana, eles terão um conflito de poder", disse Borges. "É por isso que estão violando a Constituição."

A Constituição da Venezuela diz que a posse deve ser feita perante os legisladores na Assembleia Nacional em 10 de janeiro, fazendo a ressalva de que o presidente pode também fazer seu juramento perante a Suprema Corte se não for possível comparecer à Assembleia Nacional.

O governo revelou na semana passada que Chávez está lutando contra uma infecção pulmonar grave e recebendo tratamento por "deficiência respiratória".

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Até agora não houve sinais públicos de atrito entre Maduro e Cabello, que apareceram lado a lado acenando para partidários após uma sessão legislativa no sábado de 5 de janeiro. Os dois homens têm repetidamente rejeitado especulações de que estejam em desacordo e prometeram permanecer unidos.

"Venha aqui, Nicolás. Você é meu irmão, meu amigo. Eles não entendem isso", disse Cabello, abraçando Maduro diante de uma multidão na frente da Assembleia.

Borges, no entanto, alegou que os dois homens faziam um show. "Esse grande abraço entre Nicolás Maduro e Diosdado Cabello foi feito para refletir uma união que não existe", disse.

Em um comunicado publicado no Twitter no domingo, o ex-vice presidente e proeminente membro do partido governante Elias Jaua destacou a necessidade de se trabalhar em conjunto. "Somos obrigados a permanecer unidos nesta e em qualquer outra situação", escreveu.

Os líderes da oposição argumentaram que a posse deveria ocorrer na quinta, quando termina o atual mandato presidencial. Eles exigiram mais informações sobre a condição de Chávez e disseram que, com Chávez não voltando a Caracas, o presidente da Assembleia Nacional deveria assumir o governo interinamente.

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Mas a procuradora-geral Cilia Flores rejeitou no domingo essa posição, dizendo na televisão que, se Chávez "não puder tomar posse diante da Assembleia Nacional, o fará diante da Suprema Corte". Flores, que recentemente foi uma das autoridades que se reuniram com Chávez em Cuba, apoiou os argumentos de Maduro e Cabello de que a data especificada na Constituição para um presidente assumir o cargo não é um prazo que pode ser levado em consideração nesse caso.

"Temos um presidente que foi reeleito, que está em posse de seu cargo", disse Flores em comentários divulgados pela agência de notícias estatal venezuelana. "O presidente até já possui sua faixa presidencial."

No domingo, os atletas venezuelanos que apoiam Chávez oraram pela recuperação do líder socialista.

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O piloto de Fórmula 1 Pastor Maldonado, o piloto da Série IndyCar Ernesto José Viso e outros participaram de uma missa em uma igreja no centro de Caracas. Atletas vestindo coletes com as cores e estrelas da bandeira venezuelana se prostaram diante do altar, solenemente recitando orações.

Maldonado, que é patrocinado pela estatal de petróleo PDVSA, expressou confiança de que Chávez poderia se recuperar em breve e voltar para a Venezuela. O piloto de F1 manifestou a esperança de que "muito em breve ele estará aqui conosco novamente".

Viso disse que ele e milhões de outros partidários de Chávez têm "muita fé de que ele já está se recuperando". "Desejamos a ele o melhor", disse Viso.

Por Christopher Toothaker

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