Cai número de compradores de armas em Estados com ataques a tiros nos EUA

Por AP |

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Segundo análise de dados do FBI, habitantes do Colorado e de Connecticut - palco dos piores massacres dos EUA em 2012 - estiveram menos propensos a comprar armas

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Habitantes dos dois Estados que tiveram os ataques a tiros mais mortais dos EUA em 2012 estiveram menos propensas a comprar novas armas de fogo no final do ano do que aqueles que vivem na maioria dos outros Estados americanos, de acordo com uma análise de novos dados do FBI feita pela Associated Press.

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Homem dispara arma em clube de tiro em Sandy Springs, Geórgia (04/01)

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Os números mais recentes do governo também refletiram um grande aumento no número de análises de antecedentes criminais em todo o país, assim como da requisição da autorização para o porte de armas.

Depois da reeleição do presidente Barack Obama, do ataque em uma escola primária em Connecticut no mês passado e da promessa de Obama de apoiar novas leis destinadas a conter a violência armada, o número de verificações de antecedentes criminais alavancou, especialmente no sul e no oeste.

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Na Geórgia, o FBI processou 37.586 pedidos em outubro e 78.998 pedidos em dezembro; o Estado do Alabama passou de 32.850 para 80.576 no mesmo período. Nacionalmente, houve quase o dobro de verificações de antecedentes criminais entre novembro e dezembro em relação ao mesmo período no ano anterior.

As análises de antecedentes normalmente aumentam durante a temporada de compras natalinas, e alguns dos aumentos nos números mais recentes do FBI podem ser atribuídos a esse fenômeno. Mas o número de verificações também tende a aumentar depois de ataques em massa, quando os entusiastas de armas temem que cada vez mais medidas restritivas sejam tomadas contra o porte legal.

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"É o medo de que a compra será dificultada cada vez mais", disse Thomas Wright, que administra a loja Armas de Fogo Táticas de Hoover perto de Birmingham, Alabama. Wright disse que contratou mais funcionários para lidar com o aumento nas vendas depois que 20 crianças foram mortas a tiros em Newtown, Connecticut, em 14 de dezembro. "Temos nossa parede coberta de armas. Hoje ela está praticamente vazia. Toda arma que tínhamos lá foi vendida."

Os números do governo sugeriram um interesse menor na compra de armas no final do ano em Connecticut e Colorado, onde um atirador deixou 12 mortos em um cinema. Verificações de antecedentes nesses dois Estados aumentaram, mas não tanto quanto na maioria dos outros Estados. O número de verificações no Colorado aumentou de 35.009 em outubro para 53.453 em dezembro; verificações em Connecticut aumentaram de 18.761 para 29.246 no mesmo período. Apenas Nova Jersey e Maryland mostraram aumentos menores que o Colorado.

Em Connecticut, as pessoas tiveram algumas dúvidas sobre a segurança de se ter uma arma em casa após o ataque de Newtown, disse Michael Lawlor, conselheiro de justiça criminal do governador. Antes de ir à escola, o atirador Adam Lanza, 20, primeiramente matou a tiros sua mãe em sua casa utilizando armas que tinham sido legalmente adquiridas por ela. Lanza disparou conforme entrava no prédio e realizou o massacre antes de se matar quando a polícia chegou.

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Lawlor também disse que, em Connecticut, podem-se demorar meses para se obter uma autorização para comprar um revólver. A verificação de antecedentes federal nem sempre quer dizer que uma nova arma foi comprada, mas a indústria de armas de fogo utiliza esses números como um indicador de negócios.

Após o ataque no Colorado, o FBI conduziu 1,5 milhão de verificações de antecedentes em todo o país em agosto em comparação a 1,2 milhão em junho. No entanto, a violência armada em Connecticut incentivou mais compradores de armas: a verificação de antecedentes subiu de 1,6 milhão em outubro para quase 2,8 milhões em dezembro.

Mesmo antes dos ataques de Colorado e Connecticut, a indústria de armas era forte. As vendas estavam em alta - tanto que alguns fabricantes não conseguiam fazer armas com a rapidez necessária para atender a demanda. Ações de grandes empresas de armas subiram, e o número de vendedores de armas licenciados pelo governo federal aumentou pela primeira vez em 20 anos.

Muitos atribuíram esse acontecimento a Obama, o presidente que o lobby das armas disse ser o mais antiarmas da história americana.

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Depois do ataque no Colorado, durante os meses finais da campanha presidencial, Obama e o Congresso não manifestaram interesse em novas leis de armas. Mas poucos dias depois do massacre em Connecticut, Obama disse que as novas leis sobre armas seriam uma prioridade.

"Proprietários de armas estão com medo", disse Dudley Brown, diretor-executivo da Rocky Mountain Gun Owners, um grupo do Colorado que promove os direitos de armas.

Pessoas do ramo dizem que essa necessidade repentina de comprar armas depois do ataque de Newtown vem do medo de que Obama possa proibi-las, disse Bill Bernstein, proprietário da loja East Side Gun, em Nashville, Tennessee.

Tennessee teve o maior aumento em verificações de antecedentes para a compra de armas no final do ano passado, de 59.840 em novembro para 91.922 em dezembro.

No subúrbio de New Orleans, o gerente da loja Gretna Gun Works, Jason Gregory, disse que as vendas não eram motivo de comemoração. Em Louisiana, análises de antecedentes aumentaram de 38.584 em novembro para 59.697 em dezembro. Gregory disse que as vendas mais que dobraram em sua loja, estimulada por políticos que pedem leis mais rígidas de armas.

"Eles estão causando esse medo nas pessoas", disse. "Não é assim que o mercado deveria funcionar."

Por Eileen Sullivan

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