Ministro da Comunicação informa que quadro do presidente venezuelano não mudou nos últimos dias e ele continua recebendo tratamento para uma insuficiência respiratória

O estado de saúde do presidente da Venezuela, Hugo Chávez , não mudou nos últimos dias e ele continua recebendo tratamento para uma insuficiência respiratória, informou o governo do país na noite de segunda-feira (7). Há quase um mês, Chávez foi submetido em Cuba a uma complexa cirurgia contra um câncer, que deixou em dúvida a capacidade do presidente de permanecer no comando do governo.

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Uma mulher passa por um grafite representando o presidente venezuelano, Hugo Chávez, com a palavra
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Uma mulher passa por um grafite representando o presidente venezuelano, Hugo Chávez, com a palavra "cura" em muro de Caracas

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"O presidente se encontra em uma situação estável com relação à descrita no boletim médico mais recente, quando foi informada a insuficiência respiratória enfrentada pelo comandante Chávez como consequência de uma infecção pulmonar sobrevinda no curso pós-operatório", disse o ministro da Comunicação, Ernesto Villegas.

Segundo o ministro, que falou em cadeia nacional pelo rádio e TV, o tratamento vem sendo aplicado de forma permanente e rigorosa, e Chávez "está assimilando".

Chávez foi reeleito em outubro para governar a Venezuela até 2019, mas em dezembro surpreendeu o país ao anunciar que passaria por uma operação de emergência em consequência da reincidência de um câncer diagnosticado em 2011 . Antes de viajar a Cuba, o presidente nomeou pela primeira vez um potencial sucessor : seu vice, Nicolás Maduro .

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Faltando dois dias para a posse, a dúvida sobre o futuro da Venezuela se aprofunda , uma vez que tudo indica que Chávez não estará em condições físicas para assumir o cargo. Governo e oposição têm interpretações diferentes sobre como proceder caso Chávez não seja juramentado para o novo mandato.

Nos próximos dias, a Assembleia Nacional - de maioria governista - deve enviar uma consulta ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) solicitando um parecer favorável ao adiamento da posse, sob a interpretação de que há uma continuidade do governo Chávez, razão pela qual o governo diz considerar mera "formalidade" a cerimônia de posse.

A oposição rejeita essa interpretação e diz que, se na quinta Chávez não comparecer à posse, o Parlamento deverá declarar sua ausência temporária e solicitar à Corte Suprema que uma equipe médica avalie as condições de saúde do presidente para determinar se ele poderá, ou não, assumir o mandato.

O assessor internacional da Presidência da República brasileira, Marco Aurélio Garcia, afirmou ontem que o Planalto não vê instabilidade nem desrespeito à Constituição venezuelana nos planos do governo do país de adiar a posse.

Em suas declarações, Garcia deixou claro que o governo brasileiro apoia a ideia de prorrogar por até 180 dias o prazo para a posse de Chávez.  Mas, caso o impedimento seja temporário, essa situação poderá se estender por até seis meses - 90 dias, prorrogáveis por mais 90 dias.

Ao fim desse prazo, diz o governo chavista, uma junta médica avaliaria se Chávez deve ser declarado incapacitado para assumir - e só então novas eleições ocorreriam.

O presidente da Assembleia Legislativa do país, Diosdado Cabello, convocou uma grande manifestação em frente ao Palácio Presidencial Miraflores para quinta-feira, data na qual ocorreria a posse. Segundo Cabello, vários chefes de Estado e de Governo de “países amigos” participarão do ato para “demonstrar sua solidariedade com o comandante Chávez e o povo venezuelano e em sinal de respeito à Constituição”.

Nesta terça-feira, a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou que irá no dia 10 para Havana, Cuba. Ela preende visitar Chávez, presidente com quem possui estreitas relações pessoais, políticas e comerciais. De Cuba, ela segue para os Emirados Árabes, a Indonásia e o Vietnã.

Com Reuters e Agência Brasil

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