Chávez não poderá tomar posse na quinta, anuncia Venezuela

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em nota, vice-presidente diz que equipe médica indicou que recuperação pós-cirúrgica de líder venezuelano tem de estender-se, o que obrigará à prorrogação da cerimônia de posse

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não tomará posse para seu quarto mandato na quinta-feira, anunciou nesta terça-feira o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, ao ler um comunicado do vice-presidente Nicolás Maduro.

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Chávez, que se submeteu à sua quarta cirurgia por um câncer em 11 de dezembro, está em um hospital de Havana, Cuba, e sofre complicações causadas por uma infecção pulmonar. Ele foi reeleito em outubro para seu quarto mandato, o que lhe permitiria ficar no poder até 2019, quando totalizaria 20 anos na presidência.

Na nota, Maduro explicou que a equipe médica encarregada da saúde do líder venezuelano indicou que sua recuperação pós-cirúrgica deve estender-se. Por causa disso, continua o texto, a posse terá de ser prorrogada.

O anúncio foi feito depois de o líder opositor da Venezuela, Henrique Capriles, dizer que a Suprema Corte deveria definir a disputa entre a oposição e o governo venezuelano sobre se a posse poderia ser legalmente adiada.

Capriles, que foi derrotado por Chávez em outubro, disse que a Constituição é clara ao indicar que o atual mandato presidencial termina no dia 10. Outros líderes da oposição argumentam que a posse não pode ser legalmente realizada, dizendo que o presidente da Assembleia Nacional do país deveria assumir interinamente na ausência de Chávez.

Previamente às suas declarações, sua coligação partidária, a Mesa da Unidade Democrática (MUD), alertou em carta enviada à Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a possibilidade de rompimento constitucional caso a posse fosse adiada.

A Constituição da Venezuela diz que a posse deve ser feita perante os parlamentares na Assembleia Nacional em 10 de janeiro, fazendo a ressalva de que o presidente pode também fazer seu juramento perante a Suprema Corte se não for possível comparecer à Assembleia Nacional.

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O vice-presidente Maduro, apontado por Chávez como seu sucessor político, caracterizou a cerimônia de uma "formalidade" e disse que a oposição interpretou incorretamente a Carta. Ao anunciar a terceira recorrência do câncer, Chávez disse que, se ficasse incapaz de exercer a presidência, Maduro deveria assumir seu lugar e concorrer nas eleições para substituí-lo. Capriles disse, porém, que "Maduro não foi eleito".

Chávez não fala em público desde antes da cirurgia em Cuba. Na segunda, o governo disse que ele está em uma "situação estável" em um hospital cubano, recebendo tratamento por causa da severa infecção respiratória.

*Com AP, BBC e informações do jornal venezuelano El Universal

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