Obama anuncia nomes polêmicos para chefia do Pentágono e da CIA

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Supostamente anti-Israel, Hagel é nomeado secretário de Defesa; vinculado a técnicas de interrogatório de Bush, Brennan é indicado para CIA. Senado terá de confirmá-los nos cargos

Em duas escolhas potencialmente controversas para a equipe de segurança nacional de seu segundo mandato, o presidente dos EUA, Barack Obama, nomeou nesta segunda-feira o republicano Chuck Hagel como secretário de Defesa e o conselheiro antiterrorismo da Casa Branca, John Brennan, para ocupar o cargo de diretor da CIA.

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AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, nomeia John Brennan (D) como novo diretor da CIA e Chuck Hagel (E) como novo secretário de Defesa

A escolha de Hagel, ex-senador republicano e veterano da Guerra do Vietnã (1955-1975), já era amplamente esperada para substituir Leon Panetta no Pentágono. A nomeação deve enfrentar resistência no Senado, diante das críticas de republicanos que veem Hagel como anti-israel e suave em relação ao Irã.

Brennan, que trabalhou na CIA por 25 anos, substituirá o general da reserva David Petraeus, que renunciou em meio a uma escândalo extraconjugal com a autora de sua biografia. Em 2008, ele desistiu de ser considerado para o principal cargo na agência de inteligência em meio a questionamentos sobre sua conexão com as criticadas técnicas de interrogatório usadas durante o governo de George W. Bush (2001-2009).

Juntamente com o senador John Kerry, nomeado para suceder a Hillary Clinton na chefia do Departamento de Estado, Hagel e Brennan terão como função implementar e moldar as prioridades de segurança nacional de Obama. Os três precisam ser confirmados pelo Senado para os cargos.

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Ao nomear Hagel, Obama indicou que deseja enfrentar uma difícil batalha de confirmação. O republicano moderado de 66 anos criticou a discussão sobre um ataque militar ser lançado contra o Irã pelos EUA ou Israel. Ele também irritou alguns partidários de Israel com sua referência ao "lobby judeu" nos EUA. E ele apoiou esforços de levar o Irã à mesa de negociação para futuras negociações de paz no Afeganistão.

O segundo mais importante republicano no Senado, John Cornyn, disse em uma declaração que tornar Hagel o secretário de Defesa seria "a pior mensagem possível que poderíamos enviar a nosso amigo Israel e ao resto de nossos aliados no Oriente Médio".

Autoridades da Casa Branca disseram que as posições de Hagel sobre Israel e o Irã foram mal interpretadas. Elas também citaram seus votos no Senado para bilhões em assistência militar a Israel e seu apoio a sanções multilaterais contra Teerã.

Ben Rhodes, vice-conselheiro de segurança nacional de Obama, disse que Hagel estará "completamente de acordo com o presidente" em ambas as questões. "O presidente tem um histórico de cooperação de segurança sem precedentes com Israel, e isso continuará não importa quem seja o secretário de Defesa", afirmou.

Hagel e Brennan têm relações próximas com Obama, que valoriza a lealdade em seu círculo próximo. Brennan, como conselheiro antiterrorismo de Obama, esteve profundamente envolvido no planejamento da ofensiva que matou o líder da Al-Qaeda e idealizador do 11 de Setembro, Osama bin Laden, em 2011. Além disso, ele liderou os esforços do governo para coibir o crescimento de organizações terroristas no Iêmen e em outros lugares do Oriente Médio e do norte da África.

Durante seu um quarto de século na CIA, Brennan, de 57 anos, serviu como um chefe da sucursal na Arábia Saudita e em uma variedade de postos, incluindo o de vice-diretor-executivo durante o governo Bush.

Seu mandato na agência durante a presidência de Bush atraiu críticas de liberais depois que Obama considerou nomeá-lo como diretor da CIA depois das eleições de 2008. Brennan negou envolvimento no que o governo Bush chamava de "técnicas de interrogatório avançadas", mas retirou seu nome de consideração.

Funcionários da Casa Branca disseram não esperar que Brennan enfrente problemas similares dessa vez, dado que já está a serviço do governo Obama há quatro anos. Entretanto, a nomeação de Brennan deixará em destaque o controverso programa de drones (aviões não tripulados) do governo.

Brennan foi o primeiro funcionário da administração Obama a reconhecer publicamente as operações altamente secretas, defendeu a legalidade dessas operações no exterior e disse que elas protegem vidas americanas e evitam potenciais ataques terroristas.

*Com AP e Reuters

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