Derrota para Obama causa crise de identidade em Partido Republicano

Enquanto alguns membros da legenda suavizam posições após reeleição de presidente democrata, outros relutam em reconhecer as mudanças entre eleitorado americano

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Durante anos, os republicanos dependeram fortemente de seus princípios conservadores, resistindo a pedidos dos democratas para evitar o aumento de impostos, autorizar uma abrangente reforma imigratória e o controle de armas. Agora, sete semanas depois de o presidente Barack Obama ter sido reeleito , alguns líderes do partido demonstram uma certa vontade de mudar seu posicionamento em relação a todas essas três questões.

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Antigamente o aumento dos impostos para os americanos ricos e sobre ganhos de capital não era apoiado pelo partido, mas atualmente é endossado pelo presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, enquanto negocia com Obama para evitar o chamado " abismo fiscal " no final deste ano. Importantes figuras do partido, incluindo o governador do Estado da Louisiana, Bobby Jindal, começaram a apoiar uma mudança na abordagem dos republicanos sobre a imigração depois de testemunharem os eleitores hispânicos evitando os candidatos do partido . E alguns republicanos que uma vez defenderam os direitos de armas agora cedem à ideia de restrições após o ataque na escola primária de Newtown , Connecticut, no início do mês de dezembro.

"É preciso tocar no assunto das armas. Falar sobre videogames. Saúde mental”, disse o deputado Jack Kingston da Geórgia na semana passada. Outros republicanos proeminentes como ele também solicitaram uma revisão abrangente sobre como evitar tragédias como o massacre. Entre os que estiveram abertos a uma reavaliação das políticas de armas estavam os senadores Marco Rubio, da Flórida, e Chuck Grassley, de Iowa.

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E, no entanto, o chefe do grupo de lobby para os direitos das armas, a Associação Nacional de Armas, propôs contratar policiais armados para vigiar escolas , deixando claro que o grupo republicano deverá continuar pressionando por menos restrições às armas e não por mais.

Enquanto isso, a tentativa de Boehner de fazer com que os membros de seu partido se unissem a ele em um plano de redução do déficit que visava a aumentar os impostos sobre os rendimentos de mais de US$ 1 milhão na semana passada não deu certo, expondo a relutância de muitos dos republicanos da Câmara em adotar posicionamentos fiscais mais moderados.

É muito cedo para saber se a parte que emerge dessa crise de identidade será mais ou menos conservadora do que aquela que marchou com tanta confiança na eleição de 2012. Menos de dois meses se passaram desde a derrota do candidato presidencial republicano Mitt Romney, que acabou tendendo para a direita enquanto fazia campanha para ser a candidato de seu partido e, segundo alguns dizem no partido, perdeu a eleição geral como resultado disso.

Mas o que está cada vez mais claro é que o partido hoje está engajado em uma disputa pública sobre se seus princípios estão em conflito com as opiniões da população americana em geral.

"Perdemos a eleição porque estávamos fora de sintonia com o povo americano", disse John Weaver, um conselheiro sênior para candidatos presidenciais como John McCain, o candidato republicano em 2008, e Jon Huntsman, que disputou a indicação este ano.

Muitos candidatos republicanos também se opuseram a que residentes ilegais pudessem eventualmente obter a cidadania americana. Mas as pesquisas de boca de urna de 6 de novembro mostraram que a maioria dos eleitores defende que aqueles que trabalham nos EUA ilegalmente possam permanecer no país.

As mudanças em outras questões também podem estar para acontecer, sendo a principal delas o casamento homossexual, que a base do partido se opõe há tempos. Pesquisas de boca de urna revelaram que a metade de todos os americanos apoiam o casamento homossexual.

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Depois de três Estados – Washington, Maryland e Maine – terem votado a favor da legalização do casamento gay em novembro, a liderança republicana não se manifestou sobre o assunto. E não houve nenhum esforço na Câmara ou no Senado para passar grandes legislações, apenas propostas um pouco mais rígidas, como um movimento no Comitê de Serviços Armados para impedir o casamento entre homossexuais em instalações militares.

Como um sinal de que a luta sobre o casamento homossexual pode estar diminuindo dentro da base republicana, Newt Gingrich disse que era hora de os republicanos aceitarem a mudança da opinião pública.

O ex-presidente da Câmara, que supervisionou a aprovação da Lei de Defesa do Casamento no Congresso e ajudou campanhas estaduais de financiamento para combater o casamento homossexual em 2010, disse em entrevista ao site Huffington Post que o partido deve se esforçar para aceitar os direitos para casais gays enquanto ainda os distingue do casamento.

A Lei de Defesa do Casamento define o casamento como sendo algo entre um homem e uma mulher com a finalidade de decidir quem poderá receber uma gama de benefícios de saúde federal e pensão. "O esforço deve ser concentrado para encontrar alguma maneira de abranger e lidar com a realidade", disse Gingrich.

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