Novo procurador faz críticas ao ex-presidente Felipe Calderón por sua estratégia de capturar chefes de cartéis, permitindo a dissolução destes em grupos menores e mais violentos

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O novo procurador-geral do México disse que mais de 80 cartéis de drogas de pequeno e médio porte estão em operação no país, um número muito maior do que a última avaliação formal do governo. 

A crítica do procurador Jesus Murillo Karam se soma aos ataques feitos pelo novo governo mexicano à política de segurança do ex-presidente Felipe Calderón, que se concentrava em matar e capturar os chefes de cartéis.

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Felipe Calderón entrega a bandeira do México ao seu sucessor Peña Nieto em cerimônia de transferência do cargo no Palácio Nacional (01/12)
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Felipe Calderón entrega a bandeira do México ao seu sucessor Peña Nieto em cerimônia de transferência do cargo no Palácio Nacional (01/12)


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O governo do presidente Enrique Peña Nieto vem culpando a estratégia de seu antecessor de fragmentar grandes cartéis no México, tornando-os um número maior de organizações de pequeno e médio porte muito mais perigosas. Murillo Karam disse à Rádio MVS que as autoridades estão trabalhando para identificar todas as 60 a 80 organizações de tráfico de pequeno e médio porte de drogas do país.

Em sua última avaliação pública sobre os cartéis do México, o governo de Felipe Calderón emitiu um relatório em agosto que nomeava apenas oito organizações de drogas de grande porte. O relatório, no entanto, disse que pelo menos um cartel, o grupo Beltran Leyva, havia sido dividido em fragmentos menores, após uma ofensiva do governo que matou seu líder.

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Murillo culpou Calderón diretamente por um aumento de seqüestros e crimes relacionados às drogas ao longo dos últimos seis anos. "Isso fez com que os sub-chefes, geralmente mais violentos e mais capazes de matar para subir ao poder e de gerenciarem seus próprios grupos, gerassem um outro tipo de crime como extorsão e seqüestro", disse.

O secretário do Interior Miguel Angel Osorio Chong expôs a crítica da estratégia de Calderón através de uma reunião do Conselho de Segurança Nacional dizendo que os recursos financeiros destinados à segurança tinham mais do que dobrado, mas o crime havia aumentado. Ele colocou também que com a captura de dezenas de chefes dos cartéis de drogas, os grupos agora estavam espalhados e mais perigosos.

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Calderón disse várias vezes antes de deixar o cargo que suas forças tinham capturado 25 dos 37 mais procurados traficantes do México, uma estratégia apoiada pelo governo dos Estados Unidos, com centenas de milhões de dólares em financiamento e cooperação com agências americanas de segurança e de inteligência.

Osorio Chong e Peña Nieto prometeram ajustar a estratégia de Calderón, a fim de não focarem nos líderes e em direção a um foco na redução de crimes contra o cidadão comum, sendo os mais importantes homicídios, sequestros e extorsões.

Quase três semanas após ter entrado no governo, eles tem oferecido poucos detalhes sobre como irão realmente fazer isso.

Por Eduardo Castillo

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