Nova Constituição do Egito é aprovada

Segundo comitê eleitoral, aprovação obteve 63,8% dos votos, mas comparecimento nas urnas foi de 32,9%; país vive período de distúrbios desde a queda de Hosni Mubarak

iG São Paulo |

A nova Constituição do Egito, elaborada por partidários islâmicos do presidente Mohamed Mursi, foi aprovada por 63,8% votantes em referendo de dois turnos, afirmou o Supremo Comitê Eleitoral nesta terça-feira. O resultado coincide com uma contagem extraoficial feita pela Irmandade Muçulmana de Mursi.

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"Investigamos arduamente todas as denúncias", afirmou o juiz Samir Abu el-Matti, do Supremo Comitê Eleitoral em entrevista coletiva. O comparecimento oficial final foi de 32,9%.

O presidente egípicio trata a nova Carta como um passo rumo à estabilidade em um país que sofre por crises políticas e econômicas. Mas os críticos dizem que, ao passar por cima de leis básicas, Morsi enfureceu seus adversários liberais, de esquerda e cristãos, e pode ter arruinado qualquer chance de construir um amplo consenso em relação ao aumento de impostos necessário para conter um déficit orçamentário esmagador.

Morsi acredita que a Constituição colocará um fim a um prolongado período de distúrbios que vem assombrando a nação árabe mais populosa desde a queda em 2011 de Hosni Mubarak , que era apoiado pelas Forças Armadas.

Mas analistas temem que a postura de Morsi de pressionar pelo conteúdo do texto vai apenas estimular seus adversários a capitalizar sobre qualquer discordância pública contra a austeridade, em vez de ajudar a vender reformas à nação.

Com o voto pelo "sim" confirmado, uma eleição parlamentar deve ser realizada em cerca de dois meses, abrindo espaço para que os islamistas renovem sua batalha com opositores de mente mais liberal.

Na frente política, as tensões permanecem elevadas. A oposição diz que a Constituição, feita em grande parte pelos aliados islamistas de Morsi, não consegue garantir as liberdades individuais e os direitos das mulheres e das minorias. O governo nega isso.

A oposição diz que, se for derrotada no referendo constitucional, vai se esforçar para eleger uma bancada expressiva para fazer emendas à nova Constituição.

Com Reuters

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