Policial afegã mata conselheiro dos EUA em Cabul

Em outro 'ataque de dentro', chefe de delegacia da Polícia Local Afegã mata ao menos cinco de seus colegas locais no norte do país

iG São Paulo |

Vestida com seu uniforme, uma policial afegã matou um conselheiro civil das forças de segurança dos EUA na sede da polícia de Cabul nesta segunda-feira, afirmaram autoridades e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), marcando o primeiro "ataque de dentro" realizado por uma mulher das forças locais contra aliados ocidentais que apoiam e treinam militares e policiais afegãos.

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AP
Policiais afegãos montam guarda do lado de fora da sede da polícia afegã em Cabul, onde conselheiro americano foi morto

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"Um conselheiro policial americano foi morto em um ataque cometido por uma policial afegã", disse um porta-voz da Força Internacional de Assistência em Segurança (ISAF), liderada pela Otan. A policial se aproximou do conselheiro americano quando ele caminhava pelo altamente guardado complexo policial de Cabul. Ela então sacou sua arma e atirou contra ele uma vez, afirmou um alto oficial à Reuters. 

Em um incidente separado, Dur Mohammad, chefe de uma delegacia da Polícia Local Afegã (PLA) na Província de Jawzjan (norte), matou nesta segunda ao menos cinco de seus colegas afegãos. A PLA é uma unidade de proximidade criada em 2010 e composta por soldados americanos, relatou o chefe de polícia da província, Abdul Aziz Ghairat. Mohammad conseguiu fugir após o ataque.

Mohammad Zahir, chefe do departamento de investigação criminal da polícia, descreveu o incidente contra o conselheiro americano em Cabul como um "ataque de dentro", no qual forças afegãs apontam suas armas contra tropas do Ocidente que trabalham juntamente com elas.

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A mulher foi presa depois de uma intervenção policial. "Ouvi disparos e vi essa mulher vestida com o uniforme da polícia que atirava para o ar enquanto corria. Eu a persegui e pulei sobre ela. Coloquei minha arma em sua cabeça e disse-lhe para não se mover", relatou à AFP um policial afegão encontrado na cena do crime. "Ela não resistiu e tirei sua arma", acrescentou o homem que pediu anonimato, relatando que o ataque aconteceu no pátio da sede da polícia.

"Ela está sendo interrogada. Está chorando e se perguntando 'o que eu fiz'", disse Zahir. Soldados americanos patrulhavam o quartel da polícia no centro da capital do Afeganistão após o ataque, de acordo com um fotógrafo da AFP no local.

Depois de mais de dez anos de conflito , militantes seguem tendo capacidade de desferir ataques contra alvos do Ocidente em Cabul, e forças internacionais se preocupam com membros da polícia e do Exército do Afeganistão que deveriam estar trabalhando com elas.

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O complexo fica perto do Ministério do Interior, onde em fevereiro dois oficiais americanos foram mortos a tiros em ataques a curta distância. O ataque aconteceu depois que o ódio no país foi incitado pela queima de cópias do livro sagrado dos muçulmanos em uma base da Otan.

Pelo menos 52 membros da ISAF foram mortos neste ano por afegãos que usavam uniformes da polícia e do Exército. A multiplicação desses "ataques de dentro" estabeleceu um clima de desconfiança entre os soldados estrangeiros e aliados afegãos. A Otan atribui grande parte desses ataques a diferenças culturais, mas também reconhece que um quarto deles decorre da infiltração nas forças de segurança afegãs de insurgentes da milícia islâmica do Taleban.

A missão de combate da Otan no Afeganistão termina no final de 2014 . Após esse prazo, as forças afegãs passam a garantir, em sua totalidade, a proteção do território contra o Taleban.

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As forças afegãs precisaram aumentar seus números para 350 mil homens para se preparar para assumir o papel realizado pelas forças ocidentais . Mas alguns críticos afirmam que esse recrutamento acelerado afetou a seleção de candidatos e facilitou a infiltração de militantes.

Observadores preveem uma guerra civil ou o retorno do Taleban ao poder em Cabul após a retirada das forças ocidentais no país. Mas a recente reconciliação entre o Afeganistão e o Paquistão, que tem ligações históricas com os insurgentes, também faz ressurgir a esperança de um acordo de paz para estabilizar o país após 2014, incorporando rebeldes islâmicos ao poder.

*Com Reuters e AFP

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