Lobby de armas dos EUA quer policiais armados em escolas para deter violência

'A única coisa que para um cara mau com uma arma é um cara bom com uma arma', diz vice-presidente da Associação Nacional do Rifle uma semana após massacre em escola

iG São Paulo | - Atualizada às

Uma semana após o massacre em uma escola primária do Estado de Connecticut, a Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), principal lobby de armas nos EUA, defendeu nesta sexta-feira que exista um policial armado em cada escola para coibir a violência armada no país.

Luto: Minuto de silêncio e sinos marcam os sete dias do massacre nos EUA

Getty Images
Manifestante segura cartaz no qual se lê: 'NRA está matando nossas crianças' durante coletiva dada por Wayne LaPierre

Prazo: Obama pede 'propostas concretas' sobre controle de armas até janeiro

Segundo o vice-presidente executivo da NRA, Wayne LaPierre, "a única coisa que para um cara mau com uma arma é um cara bom com uma arma". Ao menos dois manifestantes rejeitaram o anúncio. Um homem segurou uma faixa dizendo "a NRA está matando nossas crianças".

Na sexta-feira de 14 de dezembro, Adam Lanza , 20 anos, invadiu a Escola Elementar de Sandy Hook, em Newtown, e matou com disparos de um rifle semiautomático seis adultos e 20 crianças entre 6 e 7 anos de idade .

Segundo autoridades, ele usou as armas de sua mãe, Nancy, para cometer a chacina. Antes de dirigir-se à escola, ele a matou na casa onde viviam. Depois do massacre, ele se suicidou com um disparo na cabeça ao ouvir a aproximação dos policiais.

A proposta da NRA foi feita em meio ao aumento de pressão dentro dos EUA por uma legislação que permita o controle de armas no país. Nesta sexta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, reiterou sua promessa de que tomará medidas para pôr fim aos ataques com armas de fogo em resposta às mais de 400 mil pessoas que assinaram uma petição online após o massacre.

Galeria de fotos: Veja fotos das vítimas do massacre em escola primária nos EUA

"Desde a dolorosa tragédia de Newtown, centenas de milhares dos 50 Estados assinaram petições pedindo para tomarmos sérios passos para abordar a epidemia da violência armada neste país", disse Obama em um vídeo postado na internet. "Ouvimos."

Na terça, o presidente declarou seu apoio à reintrodução de uma lei para proibir a venda de rifles de assalto . De acordo com o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, Obama também considera restrições a cartuchos com munições de alta capacidade e é contra uma brecha legal que permite a compra de armas em exposições de armamentos.

"Farei tudo o que estiver em meu poder como presidente para avançar nesses esforços, porque, se há uma coisa que podemos fazer como país para proteger nossas crianças, temos a responsabilidade de tentar", acrescentou Obama no vídeo. "Mas, como eu disse antes, não posso fazer sozinho. Preciso de sua ajuda", disse.

Na quarta, Obama nomeou o vice-presidente Joe Biden à frente de uma comissão de trabalho que buscará fórmulas para evitar novos massacres como o de Newtown, melhorar o acesso a tratamento psicológico e modificar a cultura popular sobre o uso das armas. O líder americano pediu que propostas concretas com esses objetivos sejam apresentadas até janeiro .

Para marcar os sete dias desde o massacre, um minuto de silêncio foi respeitado em Connecticut e em todos os EUA. Os sinos tocaram 26 badaladas em Newtown, cenário da tragédia. As pessoas pararam o que faziam e foram para a rua em meio à chuva para lembrar as vítimas.

*Com AP e AFP

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