Entre as vítimas estão 13 crianças; violência tribal na região do rio Tana já deixou mais de 100 mortos entre agosto e setembro

Um ataque em uma aldeia da região do rio Tana, no sudeste do Quênia, deixou ao menos 39 mortos na madrugada desta sexta-feira (21). A violência tribal na região já deixou mais de 100 vítimas fatais entre agosto e setembro. Segundo a agência AP, que ouviu fontes policiais, 13 crianças, 6 mulheres e 11 homens foram mortos.

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Policial armado caminha dentro de igreja em Garissa, Quênia (Foto de arquivo)
AP
Policial armado caminha dentro de igreja em Garissa, Quênia (Foto de arquivo)


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Anthony Kamitu, que lidera as operações policiais para prevenir ataques na região, disse que a tribo de agricultores Pokomo invadiu o vilarejo semi-nômade de Orma no início da noite, no delta do rio Tana, localizado a 690 km da capital, Nairóbi. Ele disse que os invasores estavam armados com lanças e AK-47.

O aumento da violência pode estar relacionada a um realinhamento das fronteiras e às eleições gerais do ano que vem, disse o coordenador humanitário da ONU para o Quênia, Aeneas C. Chuma, em agosto. Entretanto, o maior número de mortes parece ser provocado pela disputa por água, pasto e outros recursos.

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Tensões políticas e tribais cresceram também devido a competição entre potenciais candidatos das eleições de março.A violência após a última eleição geral no Quênia, em 2007, deixou mais de mil mortos. Autoridades estão trabalhando para evitar uma repetição do episódio em março de 2013.

A utilização da água do rio Tana está em disputa no conflito de Pokomo contra Orma, segundo pesquisa do Instituto de Estudos de Segurança em 2004. A tribo Pokomo afirma que as terras ao longo do rio são suas, enquanto a tribo Orma diz que as águas lhe pertencem.

A região do rio Tana tem as características de qualquer outra área propensa a conflitos no Quênia: subdesenvolvimento, infraestrutura insuficiente e marginalização social. "As comunidades estão se armando, porque precisam se defender de eventuais ataques", diz a pesquisa. "Eles sentem que o mecanismo de segurança do governo não é capaz de responder à violência. O isolamento aumenta a demanda por armas."

Com AP

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