ONU aprova ação militar para livrar Mali de extremistas vinculados à Al-Qaeda

Antes de operação ofensiva ser lançada, porém, Conselho de Segurança quer progresso na reconciliação política, nas eleições e no treinamento de soldados e policiais africanos

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O Conselho de Segurança da ONU autorizou nesta quinta-feira uma ação militar para tirar o norte do Mali do controle de extremistas vinculados à rede Al-Qaeda, mas reivindicou que primeiramente haja progresso na reconciliação política, nas eleições e no treinamento de soldados e policiais africanos.

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Uma resolução adotada de forma unânime pelo órgão mais poderoso das Nações Unidas argumentou que é necessário existir um plano com duas abordagens, política e militar, para reunificar o país, que está em tumulto desde um golpe de Estado em março .

O Conselho de Segurança autorizou uma força liderada pelo continente africano para apoiar as autoridades do Mali em recuperar o norte - uma área do tamanho do Texas -, mas não estabeleceu nenhum prazo para a ação militar. Em vez disso, impôs tarefas que devem ser cumpridas antes do início das operações ofensivas, começando com o progresso em um cronograma político para restaurar a ordem constitucional.

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A resolução também enfatiza que um planejamento militar adicional é necessário antes de a força liderada pelos africanos ser enviada para o norte e pede que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "confirme com antecedência a satisfação do conselho com a operação militar ofensiva planejada".

O chefe das forças de paz da ONU, Herve Ladsous, disse recentemente não esperar que uma operação militar comece antes de setembro ou outubro do próximo ano.

O Mali mergulhou em confusão depois que o golpe de março criou um vácuo de segurança. Isso permitiu que os tuaregues seculares, que por muito tempo se sentiam marginalizados pelo governo do país, transformassem metade do norte como sua terra natal . Mas, meses depois, os rebeldes foram expulsos por grupos islâmicos alinhados à Al-Qaeda, que agora impuseram a rígida lei da sharia (código islâmico) no norte.

Enquanto o conselho passou meses negociando qual ação tomar, o Ansar Dine (Defensores da Fé), grupo islâmico por trás de execuções públicas e amputações no norte do Mali, expandiu seu alcance. Os militantes, cujo território inclui Timbuktu , apedrejaram até a morte um casal acusado de adultério , cortaram as mãos de ladrões e recrutaram crianças com idades de 12 anos. Homens fortemente armados também atacaram bares que vendem álcool e proibiram homens e mulheres de socializarem nas ruas.

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Em 13 de novembro, a União Africana pediu que o Conselho de Segurança endossasse uma intervenção militar para libertar o norte do Mali. O plano, acordado pelos líderes da África Ocidental conhecido com Ecowas , pediu que 3,3 mil soldados fossem enviados ao Mali por um período inicial de um ano.

A resolução da ONU autoriza uma Missão de Apoio Internacional Liderada pela África, a ser conhecida como Afisma, por um período inicial de um ano, mas não menciona seu tamanho. Ela dá boas-vindas a contribuições de soldados prometidas pela Ecowas e pede que os Estados-membros, incluindo da região vizinha de Sahel, contribuam com tropas para a missão. Diplomatas do conselho dizem que os soldados africanos mais bem treinados para conflitos no deserto são do Chade, da Mauritânia e do Níger.

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