Filha de ex-ditador é eleita primeira mulher presidente da Coreia do Sul

Park Geun-Hye vence disputa contra adversário de centro-esquerda com 50,1% dos votos e terá como desafios lidar com a Coreia do Norte e a desaceleração econômica

iG São Paulo |

Pela primeira vez na história da Coreia do Sul, uma mulher foi eleita como chefe de Estado do país, segundo as emissoras de televisão KBS, SBS e MCB, que anunciaram uma vitória segura de Park Geun-Hye, candidata do partido conservador.

Votação: Boca de urna aponta disputa apertada pela presidência da Coreia do Sul

AP
Park Geun-hye, eleita presidenta na Coreia do Sul, acena para partidários ao chegar a sede do partido em Seul

Eleição: Filha de ex-líder é candidata à presidência da Coreia do Sul

De acordo com uma pesquisa conjunta dos três canais de televisão divulgada ao fim da votação, Park, 60 anos, filha de Park Chung-Hee (ditador que comandou o país durante 18 anos até seu assassinato, em 1979), venceu com 50,1% dos votos contra 48,9% de seu adversário de centro-esquerda, Moon Jae-In.

Os partidários da candidata receberam com entusiasmo o anúncio da pesquisa na sede do Partido da Nova Fronteira (PNF), enquanto Moon reconhecia a derrota e Park prometia que se tornará "uma presidenta da promessa".

Em dia eleitoral que foi feriado, 40,5 milhões de sul-coreanos estavam registrados para comparecer às urnas. O comparecimento às urnas foi de 75,5%.

As pesquisas antes da votação já mostravam uma disputada apertada entre Park, do PNF, e Moon, do Partido Democrata Unido (DUP, centro-esquerda, principal partido de oposição).

Park é a filha de Park Chung-Hee, um brutal autocrata que promoveu a industrialização forçada e o crescimento econômico do país até seu assassinato. A mãe dela foi morta em 1970 por um militante favorável à Coreia do Norte, que tinha a intenção de matar o ditador. Por causa da morte da mãe, ela atuou como primeira-dama do pai durante os nove anos seguintes de seu governo.

"Estimulo os eleitores a desafiar o frio e votar para abrir uma nova era neste país", declarou Park depois de depositar seu voto em Seul, onde a temperatura era de 10 graus negativos.

Moon, 59 anos, é uma das principais figuras da oposição desde o período sombrio do país e um adversário notório dos militares. Ele foi preso nos anos 70 pela defesa da democracia. "Dessas eleições dependem nossos meios de existência, a democratização da economia, a previdência social e a paz na Península Coreana", afirmou ao votar na cidade meridional de Busan.

Os dois tentaram atrair a classe média e os mais desfavorecidos com promessas de combater as crescentes desigualdades na quarta economia asiática.

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A Coreia do Norte não foi sequer um tema da campanha eleitoral, apesar de Pyongyang ter executado um lançamento de foguete na semana passada, coincidindo com o primeiro aniversário da morte do dirigente comunista Kim Jong-il .

Park e Moon manifestaram o desejo de estimular as relações entre as duas Coreias. Park foi mais reservada, no entanto, porque os conservadores defendem há muito tempo uma linha intransigente em relação a Pyongyang. Durante a campanha, Moon defendeu a retomada da ajuda sem condições à Coreia do Norte e pediu uma reunião com o dirigente deste país, Kim Jong-un , filho de Kim Jong-Il.

Park tomará posse em fevereiro para um mandato de cinco anos, sem direito à reeleição. Seus principais desafios serão lidar com a hostilidade da Coreia do Norte e estimular uma economia que, depois de crescer a uma média de 5,5% ao ano nas últimas cinco décadas, passou a crescer apenas cerca de 2%.

A presidenta eleita, que é solteira e não tem filhos, promete se dedicar integralmente ao país. Ela passou 15 anos como parlamentar de destaque, embora suas propostas econômicos sejam consideradas vagas.

Ela manteve um "Comitê de Promoção da Felicidade" e, como candidata, promoveu uma "Campanha Nacional da Felicidade", embora depois tenha mudado seu slogan para "Uma Presidenta Preparada".

Eventualmente ela cita como seu modelo a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher , uma agressiva defensora do livre mercado. Em outras ocasiões, compara-se à chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, a mais poderosa líder europeia.

*Com AFP e Reuters

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