Após novos ataques, ONU suspende vacinação contra pólio no Paquistão

Homens armados mataram funcionária da equipe e seu motorista; em duas das quatro províncias no país, campanha foi suspensa, apesar de governo insistir em sua continuação

iG São Paulo |

Homens armados mataram uma funcionária da equipe da campanha de vacinação contra pólio no Paquistão e seu motorista no noroeste do país nesta quarta-feira, informaram autoridades. O ataque ocorre um dia depois de cinco integrantes da equipe de imunização terem sido mortos . Os novos ataques fizeram com que a Organização Mundial de Saúde (OMS) suspendesse a campanha em duas de quatro províncias do Paquistão.

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AP
Funcionário marca criança após aplicar vacina contra pólio em Lahore, no Paquistão (18/12/12)


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O Taleban é contra a campanha de vacinação que vem sendo realizada no país desde segunda-feira e tinha como previsão acabar no fim do dia de hoje. O grupo não reivindicou responsabilidade pelo ataque.

Nesta quarta, a mulher e seu motorista foram mortos na cidade de Charsadda, informou Syed Zafar Ali Shah, autoridade do governo paquistanês. Também ocorreram outros ataques contra outras duas equipes de vacinação na mesma cidade, mas ninguém ficou ferido.

Mais cedo, em Peshawar, homens armados atiraram contra um funcionário na cabeça, deixando-o gravemente ferido, informou Janbaz Afridi, que trabalha na área da saúde. Houve também ataques em Nowshera, mas sem registros de feridos.

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Maryam Yunus, porta-voz da OMS no Paquistão disse que sua equipe foi retirada das ruas e trabalhará de casa até o fim da campanha, no final do dia. Apesar das mortes, o governo paquistanês insistiu que a campanha continuasse em algumas áreas, embora um grande número de funcionários se recusavam a deixar suas casas, segundo informou a agência Reuters.

Na terça-feira, a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e a OMS condenaram os ataques, dizendo que eles deixam a população do país vulnerável à doença, especialmente as crianças. "Pedimos aos líderes das comunidades afetadas e a todos que se preocupam a fazer o possível para proteger os trabalhadores da saúde e criar um ambiente saudável para que eles possam atender as necessidades das crianças no Paquistão", disseram em comunicado.

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O Taleban já se declarou contra a vacinação de pólio, dizendo que as equipes que trabalham na campanha estão agindo como espiões para os EUA e que a vacina em si causa malefícios. Militantes em regiões tribais do Paquistão também disseram que a campanha de vacinação não pode continuar até que os EUA parem com seus ataques com aviões não-tripulados no país.

A campanha de imunização foi suspensa em Karachi em julho também porque um voluntário local foi morto e dois agentes da ONU ficaram feridos. O Paquistão é um dos três países onde há epidemia de pólio. O vírus geralmente atinge crianças que vivem em condições insalubres, ataca os nervos e pode provocar paralisia ou morte.

O governo, em uma ação conjunta com agências da ONU, está em uma campanha nacional para aplicar as gotinhas da vacina contra pólio em 34 milhões de crianças com menos de cinco anos.

Mas os programas de vacinação, especialmente aqueles com envolvimento de organizações internacionais, se tornaram suspeitas no país desde que um médico paquistanês realizou um programa falso de imunização no ano passado para ajudar a CIA a caçar Osama Bin Laden .

Com AP e Reuters

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