Presidente sul-africano é reeleito líder do partido governista

Zuma recebeu 2.983 dos 3.977 votos dos delegados do congresso do CNA; quatro sul-africanos foram indiciados por conspirar para explodir uma bomba na conferência do partido

iG São Paulo |

O partido governista Congresso Nacional Africano (CNA), da África do Sul, reelegeu o presidente Jacob Zuma como seu líder nesta terça-feira (18), colocando-o no caminho para mais sete anos como chefe de Estado da maior economia do continente africano. Zuma recebeu 2.983 dos 3.977 votos dos delegados do congresso do CNA, reunidos desde domingo em Bloemfontein.

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AP
Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, comemora após ser reeleito líder de seu partido, CNA


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O movimento de libertação com 100 anos de história também escolheu o empresário Cyril Ramaphosa como vice, buscando reparar a imagem desgastada do governo de Zuma, que foi atingido por uma série de escândalos de corrupção e condução instável da economia. Mais de 4 mil delegados do CNA que lotavam uma tenda na cidade de Bloemfontein irromperam em aplausos calorosos quando Zuma foi confirmado líder do partido.

A eleição de Zuma desviou a atenção do indiciamento de quatro supostos extremistas brancos por conspirar para explodir uma bomba na reunião e executar Zuma e os principais ministros, como parte de um plano para formar um Estado independente na chamada "nação arco-íris" de Mandela.

O grande perdedor da disputa foi o atual vice-presidente sul-africano, Kgalema Motlanthe, que cometeu uma espécie de suicídio político ao desafiar Zuma pela liderança do CNA e renunciar ao posto de número dois do partido.

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Dado o domínio nas urnas do CNA, o partido de Nelson Mandela, menos de duas décadas após o fim do apartheid, Zuma, de 70 anos, está praticamente garantido em um segundo mandato de cinco anos como presidente da África do Sul nas eleições de 2014. O rand, moeda sul-africana, brevemente subiu em relação ao dólar após o anúncio, refletindo o alívio entre os investidores com as perspectivas de as políticas permanecerem praticamente inalteradas sob o comando de Zuma.

Após a votação, o presidente entrou no palco para apertar as mãos dos "companheiros" do CNA - um rótulo que reflete as raízes do partido na luta apoiada por comunistas contra décadas de regime de minoria branca.

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Zuma, um tradicionalista polígamo zulu, chegou ao poder em 2009 em meio à primeira recessão em 18 anos e teve um histórico econômico instável, culminando em violentos conflitos trabalhistas nas minas este ano, que provocou dois rebaixamentos de ratings. Seu governo também foi marcado por escândalos pessoais, incluindo engravidar a filha de um amigo. Mesmo assim, sua popularidade dentro do CNA é esmagadora.

"Eu não me importo com o que as pessoas dizem sobre Jacob Zuma", disse Sinovuyo Kley, um delegado do CNA no empobrecido Cabo Oriental. "Quando você o ouve cantar, você sabe que ele é do povo. Ele fala a nossa língua e conhece nossas lutas."

Conspiração contra Zuma

Também nesta terça-feira (18), quatro sul-africanos brancos foram indiciados pelo crime de traição por um suposto plano de explodir uma bomba na conferência do CNA e executar Zuma e outros políticos.

Os quatros, identificados como Mark Trollip, John Martin Keevy, Johan Hendrick Prinsloo e Hein Boonzaaier, foram levados a um tribunal da cidade de Bloemfontein, cercado por guardas armados com fuzis.

O promotor público Shaun Abrahams disse que os homens queriam estabelecer uma nação independente e que estavam planejando atacar o grande encontro do CNA que acontece na cidade esta semana.

O plano incluía explodir uma bomba em uma tenda onde estariam reunidos delegados do CNA, antes de uma tentativa de executar Zuma e ministros do governo durante um jantar, disse Abrahams à corte. Zuma e os ministros seriam mortos "ao estilo de execução", acrescentou.

A intenção do grupo, que estava tentando comprar fuzis AK-47, era "eliminar diretamente a liderança desse país", de acordo com Abrahams. 

Com Reuters e AFP

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