Estudantes de Newtown voltam às aulas após massacre

Com exceção de Sandy Hook, palco do ataque, escolas retomam atividades; ao menos mais um funeral será realizado nesta terça-feira, além de diversas vigílias e homenagens

iG São Paulo | - Atualizada às

Com segurança reforçada, as escolas da pequena cidade de Newtown, no Estado de Connecticut, EUA, recomeçam suas atividades pela primeira vez desde o massacre de sexta-feira , que deixou 27 mortos, incluindo 20 crianças e o atirador. Mesmo com a retomada das aulas nas escolas de Newtown, com exceção de Sandy Hook, palco do massacre, alguns pais decidiram manter seus filhos em casa.

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Frank Kulick posiciona cruzes e estrelas de Davi representando as vítimas do ataque a Escola Sandy Hook (17/12)


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A escola Sandy Hook continua com intensa movimentação de policiais, que passam por uma fileira com 26 árvores de Natal, decorada pelos visitantes com ornamentos, bichos de pelúcia e balões nas cores verde e branco da escola, como um memorial às vítimas.

A polícia local e autoridades educacionais têm discutido como e em que lugares devem ter a segurança reforçada, enquanto a polícia estadual anunciou que ficaria em alerta para qualquer ameaça.

Suzy DeYoung disse que seu filho de 15 anos voltará às aulas. "Eu acho que ele quer voltar", disse. "Se ele me dissesse que queria ficar em casa, eu o deixaria. Eu acho que voltar à rotina normal é uma boa ideia - pelo menos é isso que eu ouvi de profissionais."

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Na segunda-feira, os dois primeiros funerais das vítimas do atirador Adam Lanza foram realizados na cidade de 27 mil habitantes . Ao menos mais um funeral de uma estudante - Jessica Rekos, 6 anos - deve ocorrer hoje, assim como diversas vigílias, incluindo uma para a professora Victoria Soto, considerada uma heroína por ter se sacrificado para salvar as vidas de vários alunos.

A cidade fez planos de enviar as crianças que sobreviveram ao massacre de Sandy Hook à Chalk Hill, uma outra escola na cidade vizinha de Monroe. As carteiras pequenas, adaptadas para os estudantes menores, estão sendo levadas para lá.

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Segundo a polícia, o atirador Adam Lanza , 20 anos, ex-aluno da escola, matou sua mãe, Nancy, em casa, pegou o carro dela e algumas armas e se dirigiu à escola, onde forçou a entrada e abriu fogo. Uma autoridade de Connecticut disse que a mãe, uma praticante de tiros, foi encontrada morta em sua cama, atingida quatro vezes na cabeça.

Todas as crianças mortas tinham entre 6 e 7 anos . A diretora de Sandy Hook, a psicóloga da escola e quatro professoras também foram mortas a tiros. Lanza disparou na própria cabeça ao ver que a polícia se aproximava, disseram autoridades.

Enquanto investigadores trabalham para descobrir o que motivou o jovem a realizar o ataque, agentes federais disseram que ele vinha praticando tiro havia anos. Lanza e sua mãe costumavam ir a esses campos juntos. "Não temos nenhuma indicação, entretanto, de que o atirador praticava atividades de tiro nos últimos seis meses", disse Debora Seifert, porta-voz do Serviço de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos.

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Os investigadores não encontraram cartas ou diários que pudessem explicar o ataque. Lanza teria usado um rifle AR-15, uma versão civil da militar M-16. É similar à arma usada no ataque a um shopping em Oregon e outros atentados mortais nos EUA. Versões da AR-15 haviam sido proibidas no país, desde a lei que baniu o uso das armas de assalto em 1994. Essa legislação, entretanto, expirou em 2004.

O debate sobre o controle das armas de fogo voltou a tomar corpo nos EUA após o ataque em Newtown. Na Casa Branca, o porta-voz Jay Carney disse que coibir a violência é um problema complexo que necessita de uma "solução abrangente". Carney não falou sobre nenhuma proposta específica ou algum cronograma de ações. Ele disse que o presidente Barack Obama se encontrará com autoridades da polícia e profissionais da área de psicologia nas próximas semanas.

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Os funerais de Noah Pozner e Jack Pinto, ambos de 6 anos de idade, foram realizados na segunda-feira . Um rabino comandou a cerimônia de Noah, que, segundo as tradições do judaísmo, foi sepultado em um caixão de madeira simples, com uma estrela de Davi. "Eu sentirei falta do seu sorriso perpétuo, o brilho nos seus olhos azuis escuros, emoldurados por cílios que fariam inveja a qualquer mulher nesta sala", disse a mãe de Noah, Veronique Pozner.

"Mais do que tudo, sentirei falta das suas visões sobre seu futuro", disse. "Você queria ser um médico, um soldado, um gerente de uma fábrica de tacos. Era sua comida favorida e, sem dúvida, você queria garantir que o mundo continuasse produzindo tacos." Ela terminou sua fala dizendo: "mamãe te ama, pequeno."

A irmã gêmea de Noah, Arielle, que estudava em uma sala diferente, sobreviveu ao massacre.

Com AP e Reuters

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