Democratas defendem maior controle de armas nos EUA

Governador de Connecticut e senadora da Califórnia querem leis que restrinjam armas de alto poder de fogo

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Dois integrantes de peso do Partido Democrata defenderam neste domingo um controle de armas mais rígido após o massacre na escola primária Sandy Hook School em Newtown, no Estado americano de Connecticut, na última sexta-feira.

Na ocasião, vinte crianças e seis adultos morreram depois que um atirador, identificado como Adam Lanza, abriu fogo dentro da instituição para, logo em seguida, cometer suicídio. Antes de atacar a escola, Lanza também matou a própria mãe.

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As declarações vieram do governador de Connecticut, Dan Malloy, e da senadora pela Califórnia Dianne Feinstein.

Malloy defendeu um controle mais rígido para o porte de armas "em nível nacional". Já Feinstein disse que queria promulgar uma lei que proibisse a venda de armas de alto poder de fogo.

No último sábado, médicos-legistas afirmaram que Lanza atirou mais de uma vez contra cada uma das vítimas e que a arma usada por ele foi um rifle semi-automático.

Uma proibição nacional em relação à venda de rifles semi-automáticos nos Estados Unidos expirou em 2004.

Neste domingo, o presidente dos EUA, Barack Obama , que após o ataque pediu uma "ação significativa" contra a violência armada no país, deve visitar a cidade de Newtown.

Segundo sua agenda oficial, ele deverá se reunir com familiares das vítimas e integrantes de equipes de emergência.

Em pronunciamento neste domingo, Malloy disse que havia em Connecticut uma proibição à venda de armas de alto poder de fogo, mas a falta de uma lei similar em nível nacional teria dificultado o comércio desse tipo de armamento no Estado.

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"Essas armas são de grosso calibre. Você não usa esse tipo de armamento para caça", disse ele à rede de TV americana CNN. Malloy afirmou ainda que teve a difícil tarefa de noticiar a tragédia para as famílias das vítimas na última sexta-feira.

"Você nunca está preparado para isso...contar a 18, 20 famílias que seus entes queridos não retornarão para casa hoje ou nunca mais", disse ele.

Feinstein, senadora pelo Estado americano da Califórnia e defensora aguerrida de um controle de armas mais rígido no país, disse à rede de TV americana NBC que "apresentaria a lei no Senado [sobre a proibição da venda de armas de grosso calibre] e também na Câmara dos Representantes [a Câmara dos Deputados]".

Questionada se o presidente dos EUA, Barack Obama, apoiaria sua iniciativa, ela disse: "Aposto que sim".

Crítica a Obama

Outro apoiador da medida, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, criticou Obama e pediu que o presidente americano agisse o mais rápido possível.

"Nós já ouvimos essa retórica antes", disse ele. "Não temos visto qualquer liderança nesse sentido, nem da Casa Branca nem do Congresso. Isso tem de acabar", afirmou Bloomberg, em referência aos massacres frequentes ocorridos nos EUA.

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Segundo a lista oficial divulgada pela polícia de Connecticut no último sábado, 20 crianças morreram - oito meninos e 12 meninas - com idades entre seis e sete anos.

O mais novo, Noah Pozner, havia festejado seu aniversário no mês passado.

A diretora da escola, Dawn Hochsprung, também está entre os mortos, além de Rachel DaVino, Anne Marie Murphy, Lauren Russo, Mary Sherlach and Victoria Soto.

Uma mulher que trabalhava na escola foi a única pessoa que sobreviveu aos ataques.

Homenagem

Milhares de pessoas prestaram suas homenagens às vítimas da tragédia nas proximidades da escola, enquanto um minuto de silêncio foi feito pela Liga Nacional de Futebol Americano (NFL, na sigla em inglês) ao redor dos EUA neste domingo.

A polícia de Connecticut disse que continuará investigando o caso e não especificou um prazo para a conclusão dos trabalhos.

Segundo o porta-voz da polícia, Paul Vance, toda e qualquer pessoa que postar informações incorretas sobre o incidente será "processada".

"A única informação oficial vem deste microfone", disse Vance a jornalistas mais cedo.

Cronologia do ataque

Aos poucos, a cronologia do massacre começa a ser relevada. No último sábado, a polícia informou que o autor dos disparos forçou a entrada na escola , contradizendo informações preliminares de que a entrada do atirador na instituição havia sido liberada.

Autoridades também afirmaram que possuem "provas contundentes" da motivação do crime, mas não deram mais detalhes sobre o que teria provocado a tragédia.

Também foi divulgado que o atirador matou sua mãe em casa antes de dirigir rumo à escola no carro dela e abrir fogo contra alunos e funcionários.

Investigadores acreditam que o autor dos disparos, Adam Lanza, teria estudado na Sandy Hook School anos atrás.

O massacre ocorreu em duas salas de aula e no corredor. Os disparos duraram apenas alguns minutos. Ao ouvirem os tiros, os professores de outras partes do colégio tentaram proteger seus alunos, trancando portas e os escondendo em armários.

A polícia disse que os estudantes não devem retomar as aulas na mesma escola. Os alunos sobreviventes serão reencaminhados a outros colégios da região enquanto uma decisão sobre o futuro da Sandy Hook School é tomada.

O pai do suspeito, Peter Lanza, disse que sua família "ainda está tentando entender o que aconteceu". "Nossa família está junta nas orações por todos aqueles afetados por essa enorme tragédia", disse ele, em um comunicado.

Também neste domingo, o incidente foi relembrado na tradicional prece dominical do Papa Bento 16, no Vaticano. Em inglês, o pontífice disse estar "profundamente entristecido pela violência sem sentido da última sexta-feira".

O ataque de Newtown é o segundo massacre mais violento em escolas e universidades dos Estados Unidos, atrás apenas do da Universidade Virginia Tech em 2007, quando 32 pessoas mortas e dezenas ficaram feridas.

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