Agência nuclear da ONU acredita em acordo para investigar Irã

Apesar de não ter conseguido acessar o complexo militar de Parchin, líder da delegação da AIEA que foi a Teerã afirmou que inspetores 'fizeram progressos'

iG São Paulo |

As negociações entre a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU e o Irã podem levar a um acordo no próximo mês para retomar a investigação sobre o programa nuclear iraniano, informou o inspetor-chefe da AIEA após voltar de Teerã, nesta sexta-feira.

Mesmo que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não tenha conseguido acessar o complexo militar de Parchin, onde tinha solicitado uma visita, o líder da delegação da AIEA, Herman Nackaerts, disse que os inspetores fizeram progresso na reunião de quinta-feira (13) na capital iraniana.

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Herman Nackaerts, vice na AIEA, comandou a equipe que foi a Teerã


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As potências mundiais, que buscam resolver uma disputa de anos sobre a atividade nuclear do Irã e evitar a ameaça de uma nova guerra no Oriente Médio, acompanharam de perto as negociações entre a AIEA e o Irã, esperando por qualquer indicação da disponibilidade do Irã para finalmente começar a atender às suas preocupações.

A AIEA e o Irã irão se reunir novamente em 16 de janeiro, afirmou Nackaerts a repórteres no aeroporto de Viena. 

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"Esperamos finalizar a abordagem estruturada e começar a implementá-la em seguida, logo após", disse Nackaerts, referindo-se ao esqueleto de um acordo que permitiria à AIEA reiniciar sua investigação sobre a suspeita de pesquisas do Irã para desenvolvimento de bombas atômicas. 

"Nós tivemos boas reuniões", acrescentou Nackaerts. "Conseguimos fazer progresso."

A AIEA também disse que esperava um acordo após conversas com o Irã em maio, mas isso não se concretizou.

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Diplomatas ocidentais, que muitas vezes acusam o Irã de obstrução para ganhar tempo nas suas relações com a AIEA, devem reagir com cautela e dizer ao governo iraniano que deve envolver-se mais profundamente no inquérito da agência e imediatamente conceder o acesso aos complexos suspeitos de atividade nuclear para uso militar.

"Se os dois lados estão convergindo, então, é uma boa notícia, mas já tivemos tantos começos falsos que há motivos para ser cético", afirmou Shashank Joshi, pesquisador sênior e especialista em Oriente Médio do Instituto Real de Serviços Unidos.

O Ocidente suspeita que o Irã quer expandir sua capacidade de enriquecer urânico para a produção militar , enquanto o país nega as acusações, dizendo que seus reatores tem fins pacíficos, como a geração de energia e o tratamento contra o câncer.

Desde o ano passado, a AIEA exige fazer uma outra inspeção no complexo de Parchin, que, segundo a agência, poderia ser usada para a realização de experiências relacionadas às armas nucleares. O Irã insiste que se trata apenas de uma base militar convencional.

Com Reuters e AP

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