Órgão afirma que iniciativa é 'clara violação' a resoluções da ONU, e EUA advertem que regime sofrerá 'consequências'

O Conselho de Segurança da ONU condenou nesta quarta-feira o lançamento bem-sucedido de um foguete  de longo alcance pela Coreia do Norte, afirmando que considerará urgentemente uma "resposta apropriada". Os EUA e seus aliados veem a iniciativa como um teste disfarçado de míssil balístico.

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Sul-coreanos assistem na televisão o lançamento do foguete norte-coreano
AP
Sul-coreanos assistem na televisão o lançamento do foguete norte-coreano

Fracasso em abril: Coreia do Norte lança míssil balístico e falha em disparo

Em uma breve declaração feita após consultas a portas fechadas, o mais poderoso órgão da ONU disse que o lançamento violava as resoluções do Conselho de Segurança adotadas após os testes nucleares norte-coreanos em 2006 e 2009 e desrespeitada uma proibição a "qualquer lançamento usando tecnologia de míssil balístico". O presidente do órgão, o embaixador marroquino Mohammed Loulichk, descreveu a medida como "uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança".

O conselho disse que, depois de um fracassado lançamento em abril , reivindicou que Pyongyang cancelasse quaisquer iniciativas usando tecnologia de mísseis balísticos e expressou sua determinação em tomar medidas em relação a um eventual novo lançamento. "Membros do Conselho de Segurança continuarão em consultas sobre uma resposta apropriada dado a urgência da questão", disse o comunicado.

Os EUA reagiram ao disparo dizendo que o regime de Pyongyang enfrentará "consequências", descrevendo a ação norte-coreana como "um ato altamente provocativo que ameaça a segurança regional". Previamente, Washington afirmou que o lançamento foi outro "exemplo do padrão de comportamento irresponsável da Coreia do Norte".

Com música solene e uma apresentadora sorridente, a Coreia do Norte comemorou o sucesso do lançamento, que descreveu como tendo o objetivo de pôr um satélite em órbita. Nas ruas, os norte-coreanos davam entrevistas sobre como estavam orgulhosos com o lançamento e com o avanço da ciência no país.

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O foguete Unha-3 foi lançado da costa oeste do país, parecendo ter seguido a trajetória planejada e com algumas de suas partes caindo nos lugares esperados. O governo da Coreia do Norte afirmou que o satélite foi colocado em órbita.

"O lançamento da segunda versão do nosso satélite Kwangmyongsong-3 (Unha-3) do Centro Espacial Sohae em 12 de dezembro foi bem-sucedido", informou a agência estatal de notícias KCNA. "O satélite entrou em órbita como planejado."

O Comando de Defesa Aeroespacial dos Estados Unidos (Norad, na sigla em inglês) confirmou que "um objeto parece ter alcançado a órbita". A China, o maior aliado da Coreia do Norte, lamentou o lançamento, mas afirmou que qualquer ação da ONU deve ser moderada e evitar o aumento da tensão na região.

O governo japonês informou que o foguete passou sobre partes de Okinawa e não houve tentativa de interceptá-lo. O Japão tinha ameaçado derrubar qualquer foguete ou destroços de satélite que invadissem seu território. O porta-voz do governo japonês chamou o lançamento de "extremamente lamentável". Já o presidente sul-coreano Lee Myung-bak solicitou uma reunião de emergência de seus principais conselheiros para responder ao lançamento do foguete do país vizinho.

Soldados sul-coreanos assistem à transmissão do lançamento de foguete da Coreia do Norte
AP
Soldados sul-coreanos assistem à transmissão do lançamento de foguete da Coreia do Norte

Um porta-voz do Ministério do Exterior norte-coreano reagiu às críticas dizendo que o país continuará com seu programa espacial, independentemente da reação internacional. Especialistas afirmam que a tecnologia usada para o lançamento de um satélite é muito parecida com a necessária para desenvolver um míssil de longa distância.

"O fato de os norte-coreanos terem colocado um satélite em órbita é menos importante do que o fato de que eles parecem ter conseguido uma separação bem-sucedida entre os três estágios do foguete", afirmou Mark Fitzpatrick, diretor de não-proliferação e desarmamento do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos em Londres.

E, para o especialista, isso representa um avanço nas ambições da Coreia do Norte para  desenvolver o míssil balístico intercontinental. No entanto, Fitzpatrick opina que isso não significa que os norte-coreanos conseguirão ter uma arma como essa em "um futuro próximo".

Em abril, a Coreia do Norte já havia realizado empreitada semelhante, mas, naquela ocasião, o foguete explodiu e caiu logo após seu lançamento no mar ao oeste da península coreana.

*Com AP e BBC

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