Sob ataque de Berlusconi, Monti deixa futuro em aberto

Em meio a acusações de Berlusconi de que levou Itália à recessão por acatar exigências da Alemanha, premiê italiano demissionário sugere que ainda pode se candidatar em 2013

iG São Paulo |

O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti , disse nesta terça-feira que ainda deseja influenciar o debate político, independentemente do papel que assumir depois das eleições de 2013, deixando seu futuro em aberto após especulações de que pode não abandonar a política.

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Os mercados financeiros reagiram com nervosismo à incerteza política na Itália após as eleições e particularmente ao retorno de Silvio Berlusconi como candidato do partido de centro-direita Povo da Liberdade.

Berlusconi , que renunciou como primeiro-ministro  em 2011 sob pressão da crise econômica, lançou na terça-feira um duro ataque ao governo tecnocrata de Monti, que lhe sucedeu em novembro do ano passado, criticando-o por aceitar duras medidas econômicas exigidas pela Alemanha - que, disse, teriam levado a Itália à recessão.

Monti até agora se mantinha em silêncio sobre seu futuro, afirmando na segunda-feira que está concentrado em concluir sua passagem pelo governo, sem pensar numa eventual candidatura em 2013.

Falando na terça-feira à emissora pública RAI, ele defendeu a atuação econômica de seu governo e alertou contra promessas eleitorais "excessivamente simplificadas" que ocultem os verdadeiros problemas. Novamente, ele deixou em aberto seu futuro. "A política é acima de tudo uma questão de cultura, ou seja, tentar dar direção às ideias do povo", afirmou ele ao canal.

Empurrado pelos centristas, pelo meio empresarial e pelo Vaticano, o ex-comissário europeu e economista de 69 anos, novato na política, anunciou no domingo que renunciaria a seu cargo após a aprovação do orçamento italiano de 2013, potencialmente antecipando uma eleição inicialmente prevista para março ou abril do próximo ano.

Apesar de até agora não ter confirmado sua intenção de manter-se na política, algumas pessoas próximas a ele dizem que está tentado a se candidatar. À espera, os centristas aceleram a formação de uma frente favorável à candidatura de Monti, que não tem mais a "estranha maioria" que o apoiava, integrada pelo centro, pela direita de Berlusconi e pela esquerda moderada.

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Frente à direita populista mais uma vez guiada por Berlusconi, "o trabalho de nosso grupo (Movimento para a Terceira República) que tenta se unir em torno da figura de Monti é
ainda mais importante", explicou ao jornal Corriere della Sera Lorenzo Dellai, presidente do Departamento de Trente (norte).

Mesmo com o mal-estar social alimentado pela recessão, o desemprego e os impostos em alta, uma pesquisa Ispo no final de novembro creditava a um eventual partido dirigido por Monti
35% das intenções de votos, o que o empataria com o Partido Democrata (PD, de esquerda) de Pier Luigi Bersani.

Graças à reputação internacional de "salvador da Itália", Monti poderia se beneficiar de deserções no campo Berlusconi. O antigo chefe da diplomacia Franco Frattini e o prefeito de Roma Gianni Alemanno são citados como possíveis desertores.

Monti também tem o forte apoio do Vaticano e da Igreja italiana cujo chefe, o cardeal Angelo Bagnasco, elogiou na segunda-feira a obra do "governo técnico que abrigou a Itália contra capitulações humilhantes e altamente ariscadas".

Berlusconi parece não se importar com seu possível rival. "Que ele se apresente às eleições, não tenho medo dele", disse. Mas como velho cacique político, Berlusconi sabe dos riscos de se lançar numa sexta campanha eleitoral quando as pesquisas mostram que ele não tem mais de 15% das intenções dos votos.

*Com Reuters e AFP

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