Relatório indica que EUA serão vistos como 'primeiros entre iguais' em 2030

Em 1ª avaliação em 4 anos para moldar o pensamento estratégico americano, Conselho de Inteligência Nacional diz que China superará EUA como maior economia do mundo em 2020

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Os Estados Unidos provavelmente serão os "primeiros entre iguais" em 2030 em um mundo cada vez mais caótico no qual a China será a principal economia e a demanda de recursos terá crescido, disse um relatório da inteligência americana divulgado nesta segunda-feira.

O Conselho de Inteligência Nacional, em sua primeira avaliação em quatro anos destinada a moldar o pensamento estratégico americano, afirmou que a China superará os Estados Unidos como a maior economia na década de 2020, em linha com as projeções independentes.

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Mas o estudo indicou que os Estados Unidos, embora mais fracos, provavelmente permanecerão como o principal ator mundial em duas décadas graças ao seu papel na resolução de crises globais, ao seu processo tecnológico e ao seu "soft power", que atrai outros países para a sua esfera de influência.

"Os EUA provavelmente permanecerão 'os primeiros entre iguais' em meio às outras grandes potências em 2030 por causa de sua proeminência em uma gama de dimensões de poder e ao legado de seu papel de liderança", considerou o Conselho de Inteligência no relatório de 137 páginas.

"No entanto, com a rápida ascensão de outros países, o 'momento unipolar' acabou e a Pax Americana - a era da ascendência americana na política internacional que começou em 1945 - declina rapidamente", indicou.

O estudo previu que a economia, os gastos militares e os investimentos tecnológicos da Ásia  superarão os dos Estados Unidos e da Europa juntos em 2030, mas alertou para uma incerteza maior em relação à emergente China.

"Se Pequim falhar na transição para um modelo econômico mais sustentável e baseado em inovações, continuará sendo um jogador de alto nível na Ásia, mas a influência em torno do que tem sido uma ascensão notável vai se dissipar", disse.

O poder global da China deve continuar aumentando em um ritmo menor - um fenômeno que, de acordo com precedentes históricos, normalmente faz os países "se tornarem temerosos e mais assertivos", segundo o estudo.

Europa, Japão e Rússia devem se manter em declínio econômico lento até 2030, enquanto alguns países de médio escalão podem crescer, como Colômbia, Egito, Indonésia, Irã, México, África do Sul e Turquia, afirma.

O estudo prevê grandes benefícios provenientes da tecnologia em 2030, mas alertou que a mudança climática ameaça impor sérios obstáculos.

Com uma população crescente e com o aumento da renda, a demanda do planeta por água, alimentos e energia subirá 35%, 40% e 50% respectivamente em 2030, ressalta.

Com isso, países como China e Índia mais ricos provavelmente precisarão mais das importações de alimentos, aumentando os preços internacionais. Famílias de nações de baixa renda sentirão o encarecimento da comida, aumentando provavelmente o descontentamento social.

O Conselho de Segurança Nacional estimou que o mundo deverá ter quase 8,3 bilhões de habitantes em 2030, em comparação com os 7,1 bilhões de agora , mas que a média de idade vai aumentar - com consequências enormes.

O estudo afirma que 80% dos conflitos armados e étnicos aconteceram em nações com populações jovens. O número de Estados jovens diminuirá significativamente em 2030, com os próximos surgindo aglomerados na África Central.

Outras áreas que ainda terão populações jovens - e combustível para potenciais conflitos - incluem Afeganistão, áreas tribais do oeste do Paquistão e os Estados pobres de Bihar e Uttar Pradesh, no norte da Índia.

Por outro lado, o estudo ressalta que o Oriente Médio "será um lugar muito diferente" em 2030 com o gradual envelhecimento da juventude que tomou as ruas durante os protestos da Primavera Árabe , que levaram à queda de vários líderes autocráticos.

Mas o relatório prevê instabilidade em nações com problemas sectários ou outras tensões, como Bahrein, Iraque, Líbia e Síria, além de Iêmen, que, segundo previsões do relatório, pode se dividir pela segunda vez.

O Irã é um ponto de interrogação. O estudo projeta uma "instabilidade de longo alcance" se o Irã desenvolver uma arma nuclear , mas também afirma que um Irã mais pró-Ocidente pode emergir por causa das pressões públicas e das disputas internas no regime clerical.

O estudo também explica que uma potencial resolução ao conflito entre israelenses e palestinos teria "consequências dramáticas", mas sugeriu que um cenário mais provável consistiria em ações não oficiais que levariam a um Estado palestino com questões-chave sem definição, como um status não resolvido de Jerusalém em 2030.

Embora o estudo tenha analisado as tendências, alertou para a possibilidade de eventos que poderiam mudar o jogo em 2030, como uma crise econômica global.

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