Chávez anuncia nova cirurgia contra câncer e vice como potencial sucessor

Líder venezuelano diz que voltará a Cuba para operação e afirma que Nicolás Maduro o sucederá se algo o impedir de completar atual mandato que termina em janeiro

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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez , anunciou no sábado à noite que embarcará novamente para Cuba neste domingo para se submeter a outra cirurgia contra um câncer, anunciando na televisão que a doença voltou depois de duas operações prévias e tratamento de quimioteria e radioterapia . Chávez, que venceu a reeleição no dia 7 de outubro, reconheceu a seriedade de sua situação dizendo primeira vez que, se sofrer complicações, seu sucessor será o vice Nicolás Maduro .

Junho de 2011:  Na TV, Chávez afirma que passou por cirurgia para retirar tumor

Fevereiro de 2012:  Chávez diz que fará cirurgia após encontrar nova 'lesão'

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Presidente da Venezuela, Hugo Chávez (E), fala ao lado de seu vice, Nicolás Maduro, que indicou como seu sucessor se sua saúde piorar

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Cronologia: Chávez e sua luta contra o câncer

"Há riscos. Quem pode negá-los?", disse sentado no palácio presidencial tendo ao lado Maduro e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello. "Em quaisquer circunstâncias, devemos garantir o avanço da Revolução Bolivariana.” Especialistas médicos independentes disseram que, com base nos relatos de Chávez sobre sua condição, ele enfrenta uma batalha muito difícil contra um tipo muito agressivo de câncer.

O presidente de 58 anos, que acabou de voltar de Havana na sexta-feira, disse que exames mostraram o retorno de “algumas células malignas” na mesma área em que os tumores já tinham sido removidos previamente. “Preciso voltar a Havana”, disse Chávez, indicando que submeterá à cirurgia nos próximos dias. 

Chávez disse que seus médicos recomendaram que ele fosse operado imediatamente, mas ele rejeitou a ideia afirmando que primeiramente queria voltar à Venezuela. "E voltei para isso", disse sentado sob o retrato do herói da independência Simon Bolívar, que é a inspiração para seu movimento da Revolução Bolivariana.

O curto retorno de Chávez à Venezuela parece ter tido o objetivo de mandar uma diretriz clara para seu núcleo político de que escolheu seu sucessor. Ele conclamou seus aliados a se unir. "Aconteça o que acontecer vamos continuar tendo pátria", disse e pediu aos "patriotas" da Venezuela: "Unidade, unidade, unidade."

A expressão do vice presidente era solene enquanto Chávez dizia que Maduro deveria tornar-se presidente se qualquer complicação o impedisse de terminar seu atual mandato, que acaba em janeiro. O líder venezuelano também afirmou que, se houver novas eleições, o candidato de seu movimento deve ser Maduro.

"Nesse cenário, sob o qual a Constituição requer a realização de novas eleições presidenciais, vocês todos têm de eleger Nicolás Maduro como presidente", disse Chávez. "Peço isso do meu coração." Aliado de longa data, o ex-motorista de ônibus Maduro tem mostrado uma lealdade inabalável e se tornou um importante porta-voz do líder socialista venezuelano em anos recentes.

Perfil: Conheça Nicolás Maduro, ex-motorista de ônibus que pode suceder a Chávez

De acordo com a Constituição venezuelana, se um presidente eleito morrer antes de assumir o cargo, novas eleições devem ocorrer no prazo de 30 dias e, nesse meio tempo, o presidente da Assembleia Nacional deve ficar a cargo do governo.

Estava previsto que Chávez, que chamou a nova cirurgia de uma “nova batalha”, assumisse seu novo mandato de seis anos em 10 de janeiro. Essa será a terceira operação para remover tecidos cancerígenos em menos de um ano e meio.

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Em 10 de junho de 2011, Chávez se submeteu em Cuba a uma cirurgia de emergência para retirar um abscesso pélvico. Durante o procedimento, foi descoberto um câncer não especificado que o forçou a se submeter a uma segunda operação. Em 30 de junho do mesmo ano, ele veio a público para admitir que tinha um tumor, que, apesar de tratamento quimioterápico, voltou neste ano. Para combater a recaída, Chávez passou por sessões de radioterapia.

Chávez disse que exames feitos imediatamente depois de sua reeleição mostraram nenhum sinal de câncer. Mas ele afirmou que sentia dores, que pensou serem consequência do "esforço da campanha e do tratamente radioterápico". "É uma área muito sensível, então começamos a prestar bastante atenção nela", disse, acrescentando que por esse motivo reduziu suas aparições públicas.

O líder venezuelano fez sua mais recente viagem a Cuba na noite de 27 de novembro, dizendo que receberia tratamento de oxigenação hiperbárica, tratamento regularmente usado para ajudar a recuperar tecidos danificados pela radioterapia. Enquanto estava em Cuba, exames detectaram a reincidência do câncer.

Ele chegou a Caracas na sexta, depois de dez dias de tratamento médico, mas até o sábado à noite não tinha falado sobre sua saúde. Sua inexplicável decisão de faltar a um encontro de líderes regionais no Brasil na sexta levantou suspeitas entre os venezuelanos de que o estado de sua saúde tinha piorado.

"Espero dar a vocês boas notícias nos próximos dias", disse, beijando um crucifixo que tinha em mãos. "Com a graça de Deus, venceremos."

Durante seu tratamento, Chávez manteve em segredo vários detalhes sobre sua doença, incluindo a localização precisa dos tumores e o tipo de câncer. Ele disse que viajava a Cuba para os tratamentos pelo fato de o câncer ter sido diagnosticado por médicos da ilha.

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