Milhares de palestinos celebram em Gaza os 25 anos do Hamas

Ponto alto de festa foi discurso de líder do grupo no exílio, Khaled Meshaal, que disse que nunca reconhecerá Israel

iG São Paulo | - Atualizada às

Dezenas de milhares de palestinos se reuniram na manhã deste sábado na praça Katiba da Cidade de Gaza para participar da celebração do 25º aniversário da criação do movimento islâmico Hamas, que controla o enclave palestino desde 2007.

45 anos depois: Chefe do Hamas no exílio beija o solo em sua primeira visita a Gaza

AP
Amplo modelo de foguete de longo alcance M75 é visto enquanto milhares estão reunidos para celebrar os 25 do Hamas em Gaza

Entrevista: Hamas vê possibilidade de reconciliação com Fatah após vitória na ONU

O ponto alto da cerimônia foi um discurso às 10h de Brasília do líder do Hamas no exílio, Khaled Meshaal, que desde sexta-feira está em Gaza para sua primeira visita a um território palestino em 45 anos.

Sua visita de 48 horas ocorre duas semanas após o fim de um conflito sangrento com Israel , que começou no dia 14 de novembro com um ataque aéreo israelense contra a Cidade de Gaza que matou o líder do Hamas Ahmed Jabari .

Meshaal, que não ia aos territórios palestinos desde que deixou a Cisjordânia, aos 11 anos, surgiu fortalecido dos oito dias de conflito, que terminou com um cessar-fogo que ele negociou sob mediação do Egito . Durante essa ofensiva israelense, as tropas do Estado hebreu mataram 174 palestinos, em sua grande maioria civis, incluindo mulheres e crianças. Do lado israelense seis pessoas morreram, sendo quatro civis e dois militares.

Em seu pronunciamento, ele disse que nunca reconhecerá Israel e insistiu que os palestinos nunca abrirão mão de nenhuma parte de sua terra. "A Palestina é nossa do rio para o mar e do sul para o norte. Não haverá concessão de uma polegada de terra", disse. "Nunca vamos reconhecer a legitimidade da ocupação israelense e, portanto, não há legitimidade para Israel, não importa quanto tempo vá demorar."

Em um discurso intransigente, Meshaal também prometeu libertar prisioneiros palestinos detidos em Israel, indicando que militantes islâmicos tentariam sequestrar soldados israelenses para usá-los como moeda de troca.

Israel libertou 1.027 palestinos de suas prisões no ano passado, em troca da libertação de Gilad Shalit , um soldado recruta que foi capturado por guerrilheiros palestinos em 2006 e escondido por mais de cinco anos em Gaza. Milhares de prisioneiros palestinos permanecem em Israel. O Estado judeu diz que muitos deles são terroristas. Hamas chama-os de combatentes da liberdade.

"Não vamos descansar até libertarmos os prisioneiros. A maneira que libertamos alguns dos prisioneiros no passado é o caminho que vamos usar para libertar os prisioneiros restantes", disse Meshaal, sob aplausos da multidão que havia se reuniu para vê-lo.

Mais tarde, espera-se que o líder do Hamas revele a estratégia do grupo e fale sobre uma possível reconciliação com seu rival, o Fatah, do presidente Mahmud Abbas, que controla a Cisjordânia.

Entre a multidão havia muitas mulheres e crianças com os símbolos do Hamas, bandeiras e gorros de cor verde. A celebração do 25º aniversário ocorre neste ano com uns dias de antecipação para coincidir com o da primeira Intifada palestina, que começou em 8 de dezembro de 1987 na Faixa de Gaza.

Centenas de policiais e dezenas de membros armados e encapuzados das Brigadas Ezedinne Al-Qassam, braço militar do Hamas, estavam mobilizados na praça. Em cada lado do palco foram instalados retratos gigantes do fundador do Hamas, xeque Ahmed Yassin, assassinado pelo Exército israelense em 2004, e de Jabari.

*Com AFP e Reuters

    Leia tudo sobre: hamasfaixa de gazameshaalfatahpalestinosisrael

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG