Chefe do Hamas no exílio beija o solo em sua primeira visita a Gaza

Viagem de Khaled Meshaal aos territórios palestinos é sua primeira em 45 anos; no sábado ele participa de comício que comemora os 25 anos do movimento islâmico

iG São Paulo | - Atualizada às

O líder do Hamas no exílio, Khaled Meshaal, entrou na Faixa de Gaza nesta sexta-feira em sua primeira visita a um território palestino em 45 anos, beijando o solo e desejando, um dia, morrer como um "mártir" na região.

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Líder do Hamas, Khaled Meshaal, reza com rosto perto do solo ao chegar ao posto de Rafah, no sul da Faixa de Gaza

Sua visita de 48 horas ocorre duas semanas após o fim de um conflito sangrento com Israel , que começou no dia 14 de novembro com um ataque aéreo israelense contra a Cidade de Gaza que matou o líder do Hamas Ahmed Jabari .

Meshaal, que não havia ido aos territórios palestinos desde que deixou a Cisjordânia, aos 11 anos, surgiu fortalecido dos oito dias de conflito, que terminou com um cessar-fogo que ele negociou sob mediação do Egito . "Sua visita é fruto da vitória obtida pela resistência sobre a ocupação", disse Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, antes de Meshaal chegar do Egito ao pequeno território litorâneo.

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Israel, que já tentou assassinar Meshaal, rejeita a tese de que o Hamas foi vitorioso no conflito, que matou 170 palestinos e 6 israelenses. Houve pouca menção à visita dele na imprensa em hebraico.

Acompanhado por seu vice, Mussa Abu Marzuk, e por outros funcionários de alto escalão, Meshaal atravessou a fronteira, saiu do veículo no qual se deslocava e beijou o solo, antes de abraçar o primeiro-ministro do Hamas de Gaza, Ismail Haniyeh. 

Pouco antes de sua chegada, Meshaal foi levado para ver os destroços do carro de Jabari, que foram transportados a Rafah especialmente para a visita. "Espero que Deus me torne um mártir na terra da Palestina em Gaza'", afirmou ao observar os destroços.

Izzat al-Rishq, outro membro de alto escalão do burô político do movimento no exílio, afirmou que era uma experiência emocionante estar finalmente na Faixa de Gaza, governada pelo Hamas desde sua vitória no conflito de 2007 contra a facção laica Fatah, do presidente palestino, Mahmud Abbas, que controla a Cisjordânia. "Este é o melhor sentimento que já tive. É um momento histórico inesquecível", disse. "Nosso desejo de beijar o solo da Palestina se tornou realidade."

O membro de alto escalão do Hamas Mahmud al-Zahar elogiou a visita e disse que ela foi repleta de simbolismo. "Não importa quanto tempo um palestino está longe de sua terra natal, ele sempre retornará após uma vitória", disse.

Ruas por todo o território foram decoradas com as bandeiras verdes do Hamas para marcar a visita, juntamente com as bandeiras vermelhas da Frente Popular de Libertação da Palestina, que em 11 de dezembro comemora seu 45º aniversário.

Militantes mascarados das Brigadas Ezzedine al-Qassam, braço armado do Hamas, estavam mobilizados, utilizando uniformes e carregando rifles de assalto Kalashnikovs, enquanto patrulhavam as vias nas quais o comboio oficial deveria trafegar.

Meshaal, de 56 anos, deixou a Cisjordânia com sua família depois da Guerra dos Seis Dias (1967), quando Israel assumiu o controle desse território e também da Faixa de Gaza e de Jerusalém Oriental. Ele nunca pôs os pés em Gaza, onde vivem cerca de 1,7 milhão de palestinos.

No sábado, o Hamas planeja realizar um comício para celebrar o resultado do confronto de oito dias contra Israel e também os 25 anos de fundação do grupo. Israel diz que seus bombardeios aéreos não só mataram Jabari, como também destruíram os arsenais do grupo.

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Líder do Hamas no exílio, Khaled Meshaal (centro), e o líder do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh, acenam de veículo após chegada de Meshaal a Gaza

No entanto, a guerra claramente fortaleceu o Hamas na região, rendendo-lhe o apoio de vizinhos árabes, enquanto o Fatah permaneceu isolado. O papel de Meshaal na negociação da trégua também reforçou a posição pessoal dele dentro do grupo, embora ele diga que em breve pretenda renunciar à liderança.

O comício de sábado não coincide exatamente com o aniversário do Hamas, e sim com os 25 anos do início da primeira intifada (rebelião palestina contra Israel). Isso está sendo visto como uma abertura para outras facções e como um sinal de que o Hamas está disposto a se reconciliar com Abbas.

"Há um novo clima que nos permite alcançar a reconciliação", disse Meshaal à Reuters em entrevista há uma semana , no Catar, onde se estabeleceu desde que deixou a Síria, meses atrás.

*Com AFP e Reuters

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