Premiê de Israel visita Berlim em meio à tensão por assentamentos

UE convoca embaixador israelense para discutir expansão de colônias; Netanyahu critica abstenção alemã em votação que reconheceu implicitamente Estado palestino

iG São Paulo |

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, foi recebido na noite desta quarta-feira em Berlim pela chanceler alemã, Angela Merkel, em meio à polêmica causada pela decisão de Israel de construir novos assentamentos judeus na Cisjordânia e Jerusalém Oriental após a ONU ter reconhecido implicitamente um Estado palestino .

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AP
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e chanceler alemã, Angela Merkel, conversam em Berlim antes de jantar

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Os dois dirigentes jantam nesta noite na sede do governo alemão, um dia antes de uma reunião de trabalho em um contexto de tensão entre os dois países após a abstenção da Alemanha na votação que concedeu à Autoridade Palestina o status de Estado observador não-membro das Nações Unidas na semana passada. Dos 193 membros da Assembleia Geral da ONU, 138 votaram a favor, 9 contra e 41 se abstiveram.

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O encontro entre Netanyahu e Merkel ocorre no mesmo dia em que a União Europeia decidiu  convocar o embaixador de Israel para lhe manifestar suas "preocupações" com o projeto de mais 3 mil residências na chamada zona "E1", no leste de Jerusalém.

A construção israelense no local pode dividir em duas a região ocupada da Cisjordânia ao unir Jerusalém Oriental à colônia Maale Adumim, potencialmente excluindo os palestinos de Jerusalém e diminuindo cada vez mais a esperança de um Estado palestino contíguo.

Berlim também manifestou sua preocupação com os planoss de colonização, e o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, qualificou a decisão de "mau sinal", mas a Alemanha não convocou o embaixador israelense como fizeram Espanha,  França, Reino Unido e Suécia .

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Os EUA, principal aliado de Israel, também pediram para o país reconsiderar o plano de assentamentos, dizendo que o movimento dificulta os esforços de paz com os palestinos.

Antes de desembarcar em Berlim, Netanyahu lamentou a abstenção alemã em uma entrevista ao jornal Die Welt. "Não seria sincero se não dissesse que estou decepcionado com a decisão do voto alemão nas Nações Unidas, assim como muitos israelenses", disse.

"Acredito que a chanceler (Angela) Merkel pensou que essa decisão seria útil de alguma forma para a paz, mas ela só leva os palestinos a endurecer suas posições e a não se comprometer a negociar", afirmou.

Registro do projeto de assentamentos

Apesar das objeções internacionais, arquitetos e empreiteiros compareceram diante de uma subcomissão da Administração Civil, comandada por militares, na Cisjordânia e registraram os planos para construir as 3 mil casas de colonos.

"Essa é uma fase processual preliminar, para depositar os planos", disse o funcionário da Defesa. "Cada passo futuro ainda vai exigir mais licenças." O ministro de Habitação de Israel explicou que o trabalho de construção em E1 demorará pelo menos um ano para começar.

Reuters
Assentamento israelense de Maale Adumim, perto de Jerusalém (03/12)

Israel rejeita abandonar a expansão dos assentamentos citando a necessidade de defender seus "interesses vitais". As negociações israelo-palestinianas sofreram colapso em 2010 em uma disputa sobre a construção de assentamentos .

Tais projetos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, que Israel capturou na Guerra dos Seis Dias, em 1967, são considerados ilegais pela maioria dos países. Israel cita laços históricos e bíblicos com as duas áreas, onde cerca de 500 mil israelenses e 2,5 milhões de palestinos vivem atualmente.

O negociador palestino Saeb Erakat advertiu nesta quarta-feira que Israel colocará fim ao processo de paz se levar adiante o polêmico projeto. "Se Israel decidir começar a construção no setor E1 e validar essas decisões de colonização, consideraremos que colocou fim ao processo de paz e à solução de dois Estados", declarou Erakat à AFP.

*Com Reuters e AFP

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