Presidente palestino comemora votação 'histórica' na ONU

Contra EUA e Israel, Assembleia Geral concedeu na quinta a palestinos status de 'Estado observador não-membro', abrindo caminho para sua participação em outras organizações

iG São Paulo |

O presidente Mahmud Abbas qualificou de "passo histórico para a independência" a votação da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que na quinta-feira concedeu aos palestinos o status de Estado observador não-membro da ONU.

Novo status: Contra EUA e Israel, ONU reconhece de forma implícita Estado palestino

Reuters
Palestinos participam de comício enquanto discurso de presidente Mahmud Abbas é projetado na cidade de Ramallah, Cisjordânia (29/11)

Saiba mais: Entenda o que significa o novo status palestino na ONU

Abbas, que antes da votação havia chamado o status de " certidão de nascimento " do Estado palestino, admitiu que ainda há "um longo caminho" pela frente e propôs ao Hamas, que domina a Faixa de Gaza desde 2007, o fim das divisões.

O líder palestino foi apresentado pelo chanceler da Turquia, Ahmet Davutoglu, como "presidente do Estado da Palestina", durante uma recepção em Nova York após a histórica votação.

"Certamente hoje é um dia histórico. Hoje demos um passo para a independência da Palestina", disse Abbas para diplomatas e jornalistas. "Amanhã (sexta-feira) começaremos a verdadeira guerra. Temos um longo e difícil caminho para percorrer. Não quero omitir a vitória de hoje, mas o caminho pela frente é difícil."

"Estamos comprometidos em obter nossos direitos por meio da paz e de negociações e não temos medo de continuar realizando qualquer esforço possível para atingir nosso objetivo de forma pacífica." "Internamente, os palestinos têm uma ferida, a divisão, e agora é o momento de acabar com isso, é o momento da reconciliação entre os palestinos", concluiu.

Contra EUA e Israel, a Assembleia Geral elevou o status da Autoridade Palestina de "entidade observadora" para " Estado observador não-membro" durante uma votação em que, dos 193 membros, 138 apoiaram a iniciativa, 9 foram contrários e 41 se abstiveram.

O título de "Estado observador não-membro" é usufruído por outros, como o Vaticano, e dará aos palestinos acesso a outras organizações internacionais, mas não direito a voto na Assembleia ou de propor resoluções nem postular-se a cargos na ONU.

Os palestinos reivindicam que um Estado seja formado na Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental - áreas que Israel capturou na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Em nota, o governo brasileiro felicitou a Autoridade Palestina pela conquista e reiterou seu apoio à retomada imediata de negociações que "conduzam ao estabelecimento de uma paz sustentável e duradoura baseada na solução de dois Estados".

O pedido para a mudança de status foi feito depois de a Autoridade Palestina ter visto fracassar sua tentativa de conseguir o reconhecimento como um Estado pleno no ano passado pelo Conselho de Segurança da ONU. Esse pedido ambicioso não conseguiu reunir votos suficientes diante da dura pressão dos EUA.

Infográfico: Saiba os principais fatos do conflito entre Israel e palestinos

Reuters
Palestino grita em celebração em Ramallah por reconhecimento implícito da ONU a Estado Palestino (29/11)

Após a votação, centenas de palestinos na praça central da cidade de Ramallah, na Cisjordânia, celebraram abrançando uns aos outros, buzinando, empunhando bandeiras e gritando "Deus é grande".

Os palestinos planejam tentar tornar-se membros ou ter acesso a várias agências internacionais e da ONU, incluindo o Tribunal Penal Internacional, agora que a mudança de status for aprovada. Segundo uma autoridade israelense, Israel responderá "com força" se os palestinos tentarem acusações por crimes de guerra contra Israel nessa corte.

*Com AP, Reuters e AFP

    Leia tudo sobre: palestinosisraelabbasestado palestinoonuassembleia geral

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG