Médico paquistanês que ajudou a localizar Bin Laden faz greve de fome

Shakil Afridi protesta contra isolamento imposto por autoridades após entrevistas feitas por telefone de dentro de prisão no Paquistão

iG São Paulo |

O médico paquistanês que ajudou a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA, em inglês) a caçar Osama bin Laden começou uma greve de fome em sua cela esta semana para protestar contra suas condições de vida, informaram autoridades da prisão, na quinta-feira.

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Shakil Afridi foi condenado em maio a 33 anos de prisão por suas ligações com um grupo militante proibido. Mas a decisão foi vista como punição por ele ter ajudado a CIA a encontrar o líder da Al-Qaeda, que criou tensão entre os governos americano e paquistanês.

Os funcionários da prisão na cidade de Peshawar disseram que estão mantendo Afridi em confinamento solitário e não vão permitir que ele receba visitas nem falar com ninguém pelo telefone, como punição por uma entrevista que deu à imprensa em setembro.

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"Depois da entrevista em que o Dr. Shakil Afridi colocou graves acusações contra a principal agência de espionagem do país, as autoridades da prisão barraram seus familiares e advogados de o encontrarem", disse um funcionário que pediu para não ser identificado porque não estava autorizado a falar com a imprensa. "Em protesto, Dr. Shakil iniciou uma greve de fome por tempo indeterminado."

Uma investigação após a entrevista de setembro descobriu que Afridi havia subornado os guardas para usar seus telefones celulares para falar com os jornalistas, familiares e amigos, fazendo um total de 58 ligações, informaram funcionários da prisão. Seis guardas prisionais foram suspensos.

Na entrevista, o médico disse que não sabia o papel que estava desempenhando no assassinato do chefe da Al-Qaeda , em maio de 2011. Shakil Afridi teria se passado por um representante de uma campanha de vacinação contra hepatite B para tentar obter amostras de DNA de familiares do saudita que chefiava a rede extremista internacional.

"Eu sabia que alguns terroristas estavam residindo naquele local, mas eu não sabia quem. Eu fiquei chocado, não acreditava que estava envolvido com o assassinato", contou em uma entrevista ao canal Fox News.

Com Reuters e BBC Brasil

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