França anuncia apoio a pedido palestino por status na ONU

Palestinos pedem que Assembleia Geral aprimore seu status de 'entidade observadora' para 'Estado observador não-membro'; França é a 1ª potência europeia a apoiar iniciativa

iG São Paulo |

AP
Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, discursa na Assembleia Geral da ONU (set)

O ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, anunciou nesta terça-feira ao Parlamento francês que o país votará a favor de conceder status de não-membro aos palestinos na Assembleia Geral da ONU no fim desta semana. Para aprovar a mudança, precisariam de dois terços dos 194 votos da Casa.

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A Autoridade Palestina, de Mahmud Abbas, pede que organização aprimore seu status de "entidade observadora" para " Estado observador não-membro " até o fim de 2012, que é usufruído por outros, como o Vaticano, e daria aos palestinos acesso a outras organizações internacionais. Para os palestinos, a medida também seria um passo importante em direção a uma solução de dois Estados com Israel. A votação deve ocorrer na quinta-feira.

O pedido para a mudança de status é feito depois de a Autoridade Palestina ter visto fracassar sua tentativa de conseguir o reconhecimento de um Estado no ano passado pelo Conselho de Segurança da ONU. Esse pedido ambicioso não conseguiu reunir votos suficientes diante da dura pressão dos EUA.

Ao Parlamento, Fabius disse que a França apoia há muito tempo as ambições palestinas de obter um Estado e "responderá 'sim'" quando a questão surgir. Com o anúncio, a França — que é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU — se torna a primeira potência da Europa a declarar o voto favorável, em um golpe contra Israel.

Na segunda-feira, o movimento islâmico Hamas disse que apoiava a tentativa de Abbas de ganhar mais poder para os palestinos na ONU, no mais recente sinal de uma reaproximação entre os rivais políticos.

O anúncio do Hamas foi inesperado. O grupo não reconhece o direito de existência de Israel e rejeitou as tentativas anteriores de Abbas de promover a causa palestina no palco diplomático. Abbas comanda a Cisjordânia ocupada. O Hamas governa a Faixa de Gaza e acaba de travar um conflito de oito dias com Israel .

Depois de mais de cinco anos de profundas divisões, as duas principais forças políticas nos territórios palestinos têm mostrado sinais na última semana de que estariam prontas para retomar as negociações sobre unidade - impulsionadas pelo ofensiva israelense contra Gaza.

Israel lançou sua ofensiva para interromper o lançamento de foguetes a partir do enclave costeiro para suas cidades do sul. Abbas denunciou o ataque israelense e enviou um oficial sênior para Gaza, em uma demonstração de solidariedade com a região. Assim que os combates cessaram , as facções rivais anunciaram que libertariam os seus respectivos prisioneiros políticos.

Negociações diretas de paz entre Israel e Abbas fracassaram em 2010 sobre a questão da construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental - território que os palestinos querem para seu futuro Estado.

*Com BBC, AP e Reuters

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