Rebeldes do Congo avançam após repelir contra-ataque do governo

Após tomar controle de Goma, grupo supostamente apoiado por vizinha Ruanda marcha em direção à capital para depor presidente Joseph Kabila

iG São Paulo |

Rebeldes no leste do Congo avançaram para o sul ao longo do Lago Kivu nesta sexta-feira depois de repelirem um contra-ataque das forças do governo perto do novo reduto rebelde na cidade de Goma , na fronteira de Ruanda. Outros seguiram para o norte a partir da junção estratégica de estrada em Sake.

Reduto: Rebeldes congoleses se recusam a deixar cidade de Goma

AP
Congoleses fogem da cidade de Sake, a 27 km de Goma

Crítica:  ONU condena ação rebelde na República Democrática do Congo

Um correspondente da Reuters disse que os rebeldes estavam no controle de Sake depois de uma batalha na quinta-feira, no primeiro sinal de um contra-ataque do governo após o Exército abandonar Goma na terça-feira para o movimento M23, que amplamente se acredita ser apoiado por Ruanda.

A população local e os combatentes contaram que tropas congolesas e milícias aliadas tinham recuado de Sake, que fica a 27 quilômetros a oeste ao longo do lago de Goma, para Minova, mais 15 quilômetros ao sul ao longo da estrada principal na direção do próximo objetivo declarado do M23: a cidade de Bukavu, na ponta sul do lago.

Combatentes do grupo, que anunciou que depois de tomar Goma marcharia até a capital, Kinshasa, para derrotar o presidente Joseph Kabila não encontraram resistência conforme avançavam vários quilômetros ao sul de Sake nesta sexta-feira, disse o correspondente.

Milhares de refugiados dos combates se dirigiam para Goma, onde as agências humanitárias têm uma presença significativa, juntamente com forças de paz da ONU, que recuaram quando os rebeldes chegaram.

Mushaki, cidade que fica nas montanhas a 20 quilômetros a noroeste de Sake, também sucumbiu aos rebeldes depois de confrontos durante a noite, de acordo com oficiais em Goma que estavam em contato com a área.

Levantes anteriores na República Democrática do Congo, entre eles um liderado pelo pai de Kabila, foram lançados a partir da área, onde uma mistura de fronteiras da era colonial, depósitos minerais ricos e rivalidades étnicas causaram milhões de mortes durante quase duas décadas de turbulência que datam do genocídio de 1994 em Ruanda.

Nos arredores de Sake, tomada pelos rebeldes na quarta-feira, três corpos vestindo uniforme do Exército nacional de Kabila estavam na beira da estrada e os cartuchos estavam jogados ao redor do local.

Reuters
Criança observa corpo de soldado congolês em Nyaruchinga, perto de Goma (22/11)

"Houve intensos combates", disse o pastor Jean Kambale, que rejeitou uma alegação do governo de ter retomado Sake na quinta-feira. "É o M23 que controla a cidade. Eles nunca a perderam."

Os rebeldes tiveram uma recepção mista nas áreas tomadas esta semana. Temendo mais combates, milhares de pessoas, segurando filhos e pertences, seguiam ao lado do lago nesta sexta-feira, caminhando pela estrada em direção a Goma.

O M23 foi formado em abril por amotinados do Exército que acusaram Kabila de renegar um acordo de paz de um conflito anterior. O movimento agora diz que pretende "libertar" o país inteiro e rejeitou um pedido de nações regionais para sair de Goma.

O conflito aumentou as tensões entre o Congo e sua pequena, mas militarmente poderosa vizinha Ruanda, que Kinshasa, apoiado por especialistas das Nações Unidas, acusa de apoiar os rebeldes secretamente.

Kigali tem uma história de intromissão em conflitos do Congo, que mataram cerca de 5 milhões desde 1998. O presidente de Ruanda, Paul Kagame, nega repetidamente a acusação e culpa as potências mundiais e o Congo de buscar um bode expiatório para o seu fracasso.

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