Sem cessar-fogo, violência continua em Gaza e ônibus explode em Tel Aviv

Ataque em cidade israelense deixa ao menos 21 feridos, enquanto 11 palestinos são mortos nesta quarta; em busca de acordo, Hillary tem novas reuniões com autoridades

iG São Paulo | - Atualizada às

Um ônibus explodiu e deixou ao menos 21 feridos na cidade israelense de Tel Aviv nesta quarta-feira, o oitavo dia de uma ofensiva de Israel contra militantes palestinos na Faixa de Gaza. Ataques israelenses deixaram 11 mortos no território palestino nesta quarta-feira, elevando para mais de 140 o número de vítimas em Gaza. Cinco israelenses morreram desde que a escalada de violência começou, no dia 14.

O ônibus explodiu por volta de 12h (horário local) em uma das regiões mais movimentadas da cidade, perto de um museu e da entrada do Kirya, o quartel-general do Departamento de Defesa do país. Os vidros das janelas do veículo explodiram, deixando cacos espalhados pelo asfalto.

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Reuters
Policiais observam danos causados por explosão de ônibus em Tel Aviv

Testemunhas disseram que poucos passageiros estavam no ônibus no momento da explosão. De acordo com o porta voz da polícia, Micky Rosenfeld, as autoridades estão investigando se a bomba fora plantada no ônibus ou se o ataque foi suicida. "Acreditamos se tratar de um atentado terrorista", disse Rosenfeld.

A última explosão similar em Tel Aviv aconteceu em abril de 2006, quando um suicida palestino deixou ao menos 11 mortos em uma banca de sanduíches perto do terminal central de ônibus. Em Gaza, a explosão desta quarta-feira foi noticiada na televisão oficial do Hamas, mas o grupo não fez comentários.

Horas depois do ataque ao ônibus, fortes explosões foram ouvidas em Gaza e há rumores de que ataques israelenses atingiram um estádio de futebol. Segundo o Ministério da Saúde palestino, pelo menos 11 vítimas foram registradas.

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As explosões acontecem em meio à tentativa do governo americano de negociar uma trégua entre Israel e o Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Autoridades americanas disseram que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton , voltou a Jerusalém nesta quarta-feira para novas reuniões com líderes israelenses, após ter se encontrado na Cisjordânia com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Mais tarde, Hillary se dirigiu ao Cairo, já que autoridades egípcias estão mediando o acordo.

Hillary foi enviada à região pelo presidente Barack Obama, marcando o envolvimento mais forte dos EUA no conflito. Apesar de o governo americano ter apoiado o direito de defesa de Israel, o governo Obama alertou seu aliado contra engajar-se em uma invasão terrestre que aumentaria ainda mais a violência.

Um cessar-fogo parecia próximo na terça-feira, após um dia de intensos esforços diplomáticos. Mas a violência continuou dos dois lados da fronteira. Tanques e barcos israelenses atacaram alvos em Gaza, enquanto militantes palestinos responderam com foguetes.

"Se existir a possibilidade de conseguirmos uma solução de longo prazo para esse problema por vias diplomáticas, preferimos que seja assim. Mas, caso contrário, tenho certeza de que você entenderá que Israel terá de tomar as ações que sejam necessárias para defender seu povo", disse o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, em uma reunião com Hillary na noite de terça-feira.

Ao lado do líder israelense, Hillary pareceu indicar que o acordo pode levar algum tempo para ser alcançado. "Nos próximos dias, os EUA trabalharão com seus parceiros em Israel e por toda a região em busca de uma solução que aumente a segurança dos israelenses, melhore as condições para as pessoas de Gaza e que avance em direção à paz", disse.

Hillary lamentou as mortes nos dois lados, mas ressaltou que o comprometimento dos EUA com Israel é "sólido como uma rocha". "O objetivo precisa ser durável, que promova estabilidade regional e avance em direção à segurança e às aspirações de israelenses e palestinos", acrescentou.

A violência entre Israel e o Hamas se intensificou no dia 14, após a morte do comandante militar do grupo islâmico Ahmed Jabari, em um ataque aéreo israelense. Israel afirma que a morte de Jabari e o bombardeio a Gaza são respostas aos disparos de foguetes por militantes palestinos contra seu território.

Israel exige o fim dos disparos de foguetes e do contrabando de armas para Gaza por meio de túneis na fronteira com o Egito. Além disso, quer garantias de que o Hamas não vai rearmar ou utilizar a região do Sinai egípcio para atacar israelenses.

O Hamas exige o fim dos ataques de Israel a Gaza e o fim das restrições de movimento e comércio no território, que foram definidas pelo governo israelense quando o grupo assumiu o poder, em 2007.

Com AP

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