Greve geral e protestos paralisam a Argentina

Paralisação incluiu funcionalismo público, professores, bancários, lixeiros, técnicos aeronáuticos e algumas linhas de trens e metrô

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As principais centrais sindicais argentinas lideraram, nesta terça-feira, a primeira greve geral em cinco anos de governo da presidente Cristina Kirchner, reeleita em 2011. A paralisação incluiu o funcionalismo público, professores, bancários, lixeiros, técnicos aeronáuticos, além de algumas linhas de trens e de metrô.

Leia também:  Milhares de pessoas vão às ruas protestar contra governo na Argentina

Segundo a Central Geral dos Trabalhadores (CGT) e a Central de Trabalhadores Argentinos (CTA), chamada "CTA dissidente", o protesto incluiu o bloqueio de 160 pontos de estradas e avenidas do país e teria sido de “90% alguns locais e de até 100% em outros”.

Reuters
Manifestantes protestam em ponte Pueyrredon, em Buenos Aires (20/11)


A paralisação levou ao cancelamento de voos das companhias aéreas Aerolíneas Argentinas, Austral e Lan para o interior do país e para cidades brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro. De acordo com informações disponíveis nos sites dos aeroportos Jorge Newbery (Aeroparque) e o internacional de Ezeiza, em Buenos Aires, os voos da TAM e da Gol operaram sem alterações.

Em Buenos Aires, táxis circularam normalmente, mas ônibus vazios e pouco trânsito deixaram a cidade como nos feriados.

Críticas do governo

A greve foi criticada por autoridades do governo da presidente Cristina Kirchner. "Esse ‘piquetazo’ só tenta frear o avanço do nosso país", disse o chefe da Casa Civil da Presidência argentina, Abal Medina.

Já a presidente pediu "uma grande responsabilidade para manter o modelo econômico", que gerou, segundo ela, "mais de 5,5 milhões de empregos".

Em sua conta no Twitter, a presidente escreveu: "Acho que o que estamos fazendo é o mais adequado para os interesses da Argentina. Se estou equivocada, o povo com seu voto vai decidir que outro modelo ou que outro projeto quer seguir".

Em um discurso transmitido pelas emissoras de televisão, a presidente falou sobre a história e a trajetória do país, além do legado que recebeu do marido, o ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007), morto em 2010.

Sobre a paralisação, ela lembrou, como de praxe, do ex-presidente argentino Juan Domingo Perón (1946-1955/1973-1974) e de sua primeira mulher, Eva (Evita).

"Hoje não falemos em protestos, mas em pressões e em ameaças. E ninguém me fará desistir. Estes não são os lideres (sindicais) que queriam Perón (criador do peronismo) e Eva (Evita Péron). As pessoas querem trabalhar".

Cristina também pediu "desculpas" aos que não puderam viajar, nesta terça-feira, na companhia estatal Aerolíneas. "Nós recuperamos a Aerolíneas para todos os argentinos", afirmou.

A presidente lembrou ainda que uma vez, quando era parlamentar, foi atingida por ovos e fez um paralelo com a greve desta terça-feira. "Estes (de hoje) são os mesmos que me jogaram ovos", afirmou.

Opinião dos sindicatos

Momentos antes, o presidente da CGT, Hugo Moyano, disse que era "um dia de festa" devido à "alta participação dos trabalhadores" na greve. "A cidade está vazia e com seu silêncio os trabalhadores expressaram a insatisfação (com o governo)", afirmou.

Outro sindicalista, Pablo Micheli, da chamada "CTA dissidente", disse esperar que a paralisação "sirva para o governo dialogar" com os manifestantes.

O presidente da Federação Agrária, Eduardo Buzzi, afirmou que "os trabalhadores estão cansados da soberba governo e da inflação". "Nós hoje demonstramos que é possível parar um país para que as demandas sejam atendidas", disse.

Os sindicalistas deram entrevista coletiva diante das câmeras de televisão. Eles argumentaram que o protesto era contra a inflação e o aumento do salário mínimo, entre outras demandas.

Durante o dia foram registrados incidentes isolados como o rompimento de vidros do tradicional Café Tortoni, no centro da cidade, e protestos que impediram a distribuição do jornal Clarín, o mais vendido do país e apontado pelo governo como "opositor".

Segundo levantamento do Centro de Estudos Nova Maioria, de Buenos Aires, esta foi a primeira greve geral em quase cinco anos de gestão de Cristina Kirchner e a 30ª quinta greve geral desde a restauração da democracia, em 1983.

"Cristina Kirchner é a primeira presidente que governou um mandato completo (2007-2011) sem ter uma greve geral", diz um trecho do estudo.

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