Rebeldes dizem ter assumido controle de Goma em meio a tensões com Ruanda

Integrantes do movimento M23 enfrentaram as tropas da República Democrática do Congo durante dias; segundo eles, tropas da ONU não apresentaram nenhuma resistência

iG São Paulo | - Atualizada às

Rebeldes do movimento M23, que teriam supostamente apoio de Ruanda, afirmaram nesta terça-feira (20) que assumiram o controle de Goma, no leste da República Democrática do Congo. Segundo os integrantes do grupo, eles caminharam pela cidade fronteiriça com um milhão de habitantes diante das tropas de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), que não fizeram nada para detê-los.

Os combatentes do M23 entraram em Goma após dias de confrontos com soldados congoleses apoiados pela ONU, o que provocou a fuga de dezenas de milhares de moradores. Os insurgentes teriam enfrentado alguns soldados das tropas oficiais e continuaram em uma avenida próxima ao aeroporto, e seguiram sua marcha rumo ao posto de fronteira ruandês de Gisenyi sem encontrar resistência.

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AP
Moradores fogem enquanto tropas congolesas e rebeldes lutavam perto do aeroporto (19/11)


Uma fonte da ONU disse à agência Reuters que as forças de paz internacionais desistiram de defender a cidade após as tropas congolesas terem deixado a região Uma outra fonte em Goma afirmou à agência AFP que os rebeldes tomaram conta do aeroporto da cidade.

A avanço do grupo M23 agravou as tensões entre o Congo e sua vizinha Ruanda, acusada pelo governo de Kinshasha de estar orquestrando a insurgência como um meio de conquistar a riqueza mineral da caótica região. Ruanda nega a acusação.

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Ontem, Ruanda acusou as tropas congolesas de bombardearem seu território durante uma batalha com rebeldes perto da fronteira, mas disse que não tem planos para reagir militarmente ao que chamou de "provocação de Kinshasa".

A captura de Goma representará um constrangimento para o presidente Joseph Kabila, que foi reeleito no ano passado em uma eleição que desencadeou tumultos generalizados em Kinshasa e que observadores internacionais disseram ter sido marcada por fraudes.

A ofensiva do M23 teve início nesta terça-feira, depois da recusa do governo congolês de iniciar negociações e de desmilitarizar Goma , como haviam exigido os rebeldes na segunda-feira.

O Movimento 23 de Março (M23) foi criado por militares que participaram na rebelião anterior e entraram para o Exército em 2009, após um acordo de paz. Eles reclamam que Kinshasa não respeitou os compromissos.

Com Reuters e AFP

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