Paquistão anula processo contra menina acusada de profanar o Alcorão

Rimsha cumpria prisão domiciliar desde setembro, após ter sido libertada da cadeia; no Paquistão, blasfêmia pode ser punida com prisão perpétua ou pena de morte

iG São Paulo |

A Justiça paquistanesa abandonou nesta terça-feira as acusações contra Rimsha, uma jovem cristã de 12 anos acusada de ter profanado o Alcorão, em um caso que provocou grande comoção no país e no exterior.

Em agosto, a jovem foi presa em Islamabad depois de um clérigo muçulmano tê-la acusado de blasfêmia por ter queimado folhas nas quais estavam escritos versículos do Alcorão, crime que pode ser punido com prisão perpétua ou pena de morte no Paquistão.

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AP
Paquistanesa acusada de blasfêmia é escoltada até helicóptero após ser libertada da prisão em Rawalpindi (8/9)


O clérigo, depois, foi acusado de fabricar evidências contra a garota, cuja capacidade mental chegou a ser questionada e foi preso .

O advogado de Rimsha, Akmal Bhatti, informou nesta terça-feira que o Tribunal de Islamabad anulou o caso, declarando-a inocente. A Justiça concluiu que as acusações contra a garota se basearam em uma heresia e em materias que foram plantados pelo clérigo.

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A intenção do clérigo, segundo investigações, era tentar expulsar os cristãos do bairro de Islamabad onde vivia Rimsha.

"Eu estou feliz que a provação que essa pobre menina passou chegou ao fim", disse Abul Hameed, outro advogado da garota. Rimsha foi libertada da prisão em setembro mediante ao pagamento de fiança, e, desde então, cumpria prisão domiciliar com a família. Ela não fez nenhuma aparição pública desde então com medo de sofrer represálias.

Grupos de direitos humanos paquistaneses e internacionais se comoveram com o caso e exigiram que o governo paquistanês modificasse suas leis sobre blasfêmia, afirmando que a legislação vigente é muito ampla e vaga, podendo, dessa forma, ser usada por pessoas que tentam prejudicar rivais ou minorias religiosas.

Com AFP e AP

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