Apesar de sinais de trégua, Israel pede retirada de residentes de Gaza

Força Aérea lança panfletos aconselhando moradores a sair 'imediatamente' de casa em direção ao centro da Cidade de Gaza - estimulando temores de uma invasão por terra

iG São Paulo | - Atualizada às

A Força Aérea israelense lançou panfletos em diversos bairros da Cidade de Gaza nesta terça-feira pedindo a seus moradores que deixem suas casas "imediatamente", apesar de autoridades egípcias e do grupo islâmico Hamas terem afirmado que um acordo para um "período de calma" é iminente . Os panfletos estimularam temores de que uma invasão por terra pode estar próxima.

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AP
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O presidente do Egito, Mohammed Morsi, disse esperar que a "agressão" contra a Faixa de Gaza cesse nesta terça-feira, anunciou a agência oficial egípcia Mena. O Egito tem tentado alcançar uma trégua no conflito de sete dias, que deixou mais de cem palestinos e cinco israelenses mortos.

U m oficial do Hamas disse à CNN que um "período de calma" seria anunciado na noite de hoje. Entretanto, outras autoridades recuaram e disseram que havia chances de a trégua não ocorrer nesta terça-feira. O porta-voz do Hamas Sami Abu Zuhri afirmou que Israel não concordou com os termos que poderiam suspender o conflito.

O "período de calma" pode parar a violência, mas não é o mesmo que um cessar-fogo, com o qual Israel ainda não concordou. "Uma das reivindicações israelenses é de que haja um período de 24 horas de calma total antes que possa se comprometer com qualquer acordo", disse uma fonte em Jerusalém. Osama Hamdan, porta-voz do Hamas em Beirute (Líbano), disse que a questão agora "está nas mãos dos israelenses".

Mesmo sem concordar com a trégua, Israel anunciou que adiaria planos para uma invasão terrestre do território para dar tempo para as negociações realizadas no Cairo.

Apesar disso, os panfletos lançados sobre Gaza aconselharam os moradores no norte, sul e leste do território a se mover para áreas centrais para sua própria segurança. "Para sua própria segurança, devem deixar imediatamente suas casas e se dirigir para o centro da Cidade de Gaza", diziam em árabe os panfletos nos quais eram indicados os caminhos a usar.

O texto não especificou os motivos do pedido de retirada, mas garantiu a segurança de todos aqueles que seguirem as instruções. "No final, todos voltarão às suas casas", prometia a mensagem. "Se seguirem as regras do Tsahal (Exército de Israel), os civis ficarão protegidos de qualquer incidente", acrescentou.

Em uma coletiva conjunta com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon , o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que, se uma solução de longo prazo puder entrar em vigor por meios diplomáticos, "então Israel seria um parceiro de tal solução". "Mas se uma ação militar mais forte provar ser necessária para parar os lançamentos de foguetes palestinos, Israel não hesitará  em fazer o que for necessário para defendeu seu povo", advertiu.

A violência se intensificou no dia 14, após a morte do comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari , em um ataque aéreo israelense. Israel afirma que a morte de Jabari e o bombardeio a Gaza são respostas aos disparos de foguetes por militantes palestinos contra seu território.

Nesta terça-feira, o nível de violência diminuiu, apesar de Israel ter conduzido alguns ataques e de foguetes terem sido lançados contra Israel, principalmente tendo como alvo o sul do país. Dois alcançaram uma área aberta perto de Jerusalém, não causando vítimas ou danos.

Também nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, decidiu enviar a secretária de Estado Hillary Clinton , que estava com ele em Phnom Penh (Camboja), a Israel, Egito e Ramallah, em uma iniciativa para tentar conter a escalada da crise.

A viagem de Hillary marca o envolvimento mais forte de Obama no conflito. Apesar de os EUA terem apoiado o direito de defesa de Israel, o governo Obama alertou seu aliado contra engajar-se em uma invasão terrestre que aumentaria ainda mais a violência.

Na segunda-feira, o número de mortos no conflito passou de cem . Até esta terça, fontes de saúde de Gaza disseram que o total de mortos entre os palestinos é de 133, incluindo ao menos 54 civis. Cerca de 840 ficaram feridos, incluindo 225 crianças. Do lado de Israel, nesta terça-feira, um soldado israelense e um civil que trabalhava para militares foram mortos, atingidos pelo disparo de foguete do Hamas. Na quinta-feira, outros três civis israelenses foram mortos com disparos de foguetes. Segundo o Exército, mais de 1 mil foguetes foram disparados contra Israel nesta semana.

*Com BBC, AP e Reuters

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