Secretário-geral da ONU chega ao Egito para discutir trégua na Faixa de Gaza

União Europeia pede o fim imediato das hostilidades, enquanto presidente americano, Barack Obama, ressalta necessidade de Hamas parar com disparos de foguetes

iG São Paulo | - Atualizada às

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegou nesta segunda-feira (19) ao Cairo, com o objetivo de manifestar apoio aos esforços realizados pelo Egito em favor de um cessar-fogo entre Israel e o grupo islâmico palestino Hamas na Faixa de Gaza, enquanto cresce a pressão internacional pelo fim das hostilidades entre os dois territórios. Os mortos nessa nova onda de conflito, que entrou no sexto dia consecutivo, já passam de 100 .

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Reuters
Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (esq), se encontra com o chanceler egípcio Mohamed Kamel Amr no Cairo


Ban, que foi ao Cairo como parte de uma viagem regional, se reuniu na noite desta segunda-feira com o chefe da diplomacia egípcia, Mohammed Kamel Amr, e deve encontrar na terça-feira o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi. Depois, ele seguirá para Jerusalém na terça-feira ou na quarta, de acordo com diplomatas da ONU.

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Seu porta-voz indicou que ele se reunirá nesta semana com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, para discutir um cessar-fogo. "O secretário-geral deseja contribuir com os esforços consideráveis" realizados pelo estabelecimento de uma trégua, declarou por telefone o porta-voz, Martin Nesirky, pouco depois da chegada de Ban Ki-moon ao Egito.

Abbas já havia indicado que o chefe da ONU viajaria para os territórios palestinos. Ban já teve um encontro com Netanyahu no qual pediu moderação, condenando os disparos de foguetes contra Israel a partir da Faixa de Gaza. Ele se preocupa "em primeiro lugar com as vítimas civis nos dois campos", havia indicado Nesirky na sexta-feira.

Nesta segunda-feira, os chanceleres da União Europeia (UE) pediram o fim imediato das hostilidades de Israel na Faixa de Gaza, ao afirmar que um cessar-fogo é do "interesse de todos". Reunidos em Bruxelas, os ministros "pediram um fim urgente das hostilidades" e "apoiaram os esforços de mediação do Egito".

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O Egito tenta implementar um cessar-fogo com a ajuda da Turquia e do Catar. O chanceler turco Ahmet Davutoglu e uma delegação de chanceleres árabes devem chegar à Gaza na terça-feira para discutir um acordo. Uma autoridade egípcia afirmou à agência Associated Press que o Hamas e Israel estavam apresentando suas condições de cessar-fogo para o Egito.

"Eu espero que, pelo final do dia, nós recebamos um sinalização final do que poderá ser alcançado", disse. Ele acrescentou que Israel e Hamas estão tentando obter garantias que assegurem um fim às hostilidades.

O Hamas quer que Israel suspenda todos os ataques contra Gaza e suspenda as restrições no comércio e circulação do território que vigora desde que o grupo islâmico passou a controlar Gaza, em 2007. Israel exige que o Hamas pare os disparos de foguete e suspenda o contrabando de armas por meio de túneis na fronteira com o Egito.

Também nesta segunda-feira o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ressaltou a necessidade do fim dos ataques de foguetes do Hamas contra Israel em um telefonema ao presidente do Egito, Mohamed Mursi, nesta segunda-feira, para discutir maneiras de acalmar o conflito em Gaza, informou a Casa Branca.

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Ele "ressaltou a necessidade do Hamas cessar os disparos de foguete contra Israel". Durante o telefonema, Obama demonstrou pesar pela perda de vidas em ambos os lados, assim como fez em outra ligação ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Obama fez os telefonemas do Camboja, onde participa da reunião de líderes da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), afirmou a Casa Branca.

Ataque

O número de palestinos mortos no sexto dia da ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza chegou a 100 nesta segunda-feira, informaram fontes oficiais à agência Associated Press. Do lado de Israel, três civis morreram por um foguete na quinta-feira .

Nesta segunda-feira, um ataque aéreo de Israel contra um prédio na cidade de Gaza matou Ramez Harb, uma figura importante no braço militar da Jihad Islâmica da Palestina, a Brigada Al-Quds, informou o grupo em uma mensagem de texto enviada a jornalistas. O prédio, ocupado por grupos de mídia locais e de fora do país, também foi atacado no domingo . Um pedestre foi morto no novo ataque, segundo médicos.

A Jihad Islâmica da Palestina, um grupo menor e aliado ao Hamas, afirmou que Harb deveria ser o alvo do bombardeio. Israel matou dezenas de militantes procurados em bombardeios estratégicos nesta ofensiva.

A violência na região de Gaza se intensificou na quarta-feira, após a morte do comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari , em um ataque aéreo israelense. Israel afirma que a morte de Jabari e o bombardeio a Gaza são respostas aos disparos de foguetes por militantes palestinos contra seu território.

O líder exilado do Hamas, Khaled Meshaal, disse nesta segunda-feira que o grupo islâmico não quer uma escalada da violência ou atrair tropas israelenses para uma incursão terrestre na Faixa de Gaza, mas que, se Israel quiser uma trégua, precisará iniciar um cessar-fogo porque "começou a guerra" . No domingo, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, disse que Israel estava pronto para "expandir" a operação em Gaza .

Com Reuters, AP e AFP

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