República Democrática do Congo rejeita ultimato de rebeldes

Integrantes do movimento M23, supostamente apoiados por Ruanda, ocuparam Goma e exigiram que as forças do governo se retirassem da cidade e iniciassem o diálogo

iG São Paulo | - Atualizada às

O governo da República Democrática do Congo rejeitou nesta segunda-feira um ultimato dos rebeldes do movimento M23 para iniciar negociações, em meio a intensos combates nas proximidades da cidade de Goma , no leste do país. Goma é a capital província de Kivu do Norte e base do quartel-general da missão de pacificação da ONU no leste da Repbúclica Democrática do Congo.

Segundo informações da rede BBC , os rebeldes do movimento M23 no Congo alcançaram os arredores de Goma neste domingo, provocando a fuga de centenas de moradores. A ofensiva pretende recuar forças pacificadores das Nações Unidas com base na região e pressionar tropas do governo.

Leia: Rebeldes na República Democrática do Congo avançam para arredores de Goma

AP
Soldado do grupo M23 é visto na cidade de Rubare, no Estado de Kivu do Norte, região disputada entre rebeldes e exército do Congo (18/11)


O movimento M23 é um grupo fortemente armado que supostamente recebe apoio de tropas de Ruanda, vizinho ao leste. Nesta segunda-feira, os rebeldes exigiram que as forças do governo se retirassem da cidade em 24 horas e dessem início ao diálogo. 

Ruanda acusou tropas as congolesas de bombardearem seu território durante uma batalha com rebeldes perto da fronteira, mas disse que não tem planos para reagir militarmente à "provocação" de Kinshasa.

"Ruanda não pretende responder a essa provocação vinda da RDC", disse à Reuters a chanceler ruandesa, Louise Mushikiwabo. "As questões são sérias demais para serem submetidas a um jogo."

Um porta-voz militar ruandês havia dito anteriormente que militares congoleses fizeram disparos de artilharia, baterias antiaéreas e tanques contra a cidade ruandesa de Gisenyi, ferindo três pessoas

O Conselho de Segurança da ONU condenou o avanço dos rebeldes a Goma, o mais grave desde julho. As ruas da cidade estavam desertas nesta segunda-feira, segundo informações da agência AFP.

Os rebeldes do M23 afirmaram em comunicado que se o governo falhasse em conduzir "negociações políticas diretas" em 24 horas, eles iriam "manter a resistência contra o governo de Kinshasa até sua queda", de acordo com a AFP.

O porta-voz do governo congolês Lambert Mende afirmou que os rebeldes eram "forças de ficção" apoiadas por Ruanda, que o fazem para "esconder suas atividades criminosas" no leste. "Nós preferimos negociar com Ruanda, o agressor de verdade", disse.

No final de semana, o Conselho de Segurança da ONU exigiu um fim ao apoio externo ao grupo rebelde, destacando que os integrantes estão fortemente armados e bem equipados. 

As forças do governo e as tropas da ONU continuam a controlar o aeroporto de Goma, mas a ONU afirmou que a situação humanitária está piorando, com cerca de 60 mil habitantes que saíram de suas casas para fugir dos combates e agora não têm para onde ir. Segundo a ONU, mais de 100 mil civis refugiados passaram pelo aeroporto nesta segunda-feira.

Com BBC e Reuters

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